Breno da Mata Versão para impressão
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A rivalidade entre Brasil e Portugal é antiga. Bem como as provocações entre os patrícios. Não importa qual o tema que se escolha. Seja língua, história ou, com ainda mais ênfase, futebol. As provocações sempre terminam em calorosas discussões.
Esta semana que passou, os portugueses e o mundo perderam um dos seus mais importantes escritores. O português José Saramago deixa uma história de provocações e uma vasta coleção de livros que já faz parte da história. Neste quesito não há argumentos contrários. Mesmo que a Igreja Católica o tenha visto como um dos seus maiores críticos neste século, a qualidade de sua obra transcende a sua ferrenha e provocativa opinião sobre a fé cristã.
Com o livro, “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” (1991), Saramago ganhou notoriedade e também muitos inimigos. O livro foi proibido em Portugal devido a pressão da igreja católica, levando o escritor a se exilar voluntariamente na ilha espanhola de Lanzarote, onde viveu até a sua morte.
Mesmo sendo o único escritor de língua portuguesa a receber um Nobel de literatura, a repercussão da sua morte nos jornais europeus foi imensamente maior do que no Brasil e mesmo em Portugal. O El País dedicou-lhe no último sábado, oito páginas inteiras e no domingo mais duas.
Era um autor crítico, utópico, comunista. Diante da Real Academia da Suíça disse que se para ganhar o Nobel tivesse que renunciar às suas convicções, renunciaria antes ao prêmio.
Em entrevista à televisão espanhola em fins de 1998, declarou que não tinha tempo para pensar na morte porque tinha muitas coisas que lhe faziam viver. E também não flertava com arrependimento: “Se tivesse que reviver tudo de novo, mesmo com o que há de triste, de mal, de feio, ainda assim, viveria tudo de novo”.
Saramago deixou o mundo aos 89 anos, sem arrependimentos.
Um abraço,