Breno da Mata Versão para impressão
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O julgamento, e consequente condenação de Alexandre Nardoni e Anna Carolina, acusados de assassinar a menina Isabella, foi acompanhado pelos brasileiros como se fosse o último capítulo da novela das oito.
Nunca se viu tanta emoção, revolta e pedido de condenação como neste caso. Mas apesar, espero eu, que a justiça tenha sido feita, a condenação antecipada por parte das pessoas prova que a justiça brasileira nem sempre é cega como se supõe.
Nesta mesma semana, outro julgamento no Brasil teve grande repercussão na mídia, não brasileira, mas estrangeira.
Trata-se do caso do norte-americano Joseph Martin, morto por um policial no Rio de Janeiro, em 2007. O motivo teria sido a interferência do gringo contra o policial que queria, supostamente, atirar em um garoto que teria roubado uma bolsa.
Os jornais norte-americanos que acompanharam o caso, relataram que os laudos que continham nomes de testemunhas do crime teriam sumido do processo. João Vicente Oliveira foi considerado inocente, depois de dois dias de deliberações.
Joseph Martin havia escolhido morar no Brasil depois de conhecer sua namorada brasileira. Ele estava comemorando o seu aniversário de 30 anos quando foi morto.
Enquanto o Brasil se revoltava contra o pai e a madrasta de Isabella, argumentando que não se mata uma criança inocente, estas mesmas pessoas agem friamente diante da morte de dezenas de pessoas todos os dias. Crime é crime, e pronto. A revolta deveria ser a mesma.
A capa da revista Veja da semana veio com o título “Condenados!” e no subtítulo a frase “Agora, Isabella pode descansar em paz”.
Fiquei me perguntando se quem irá descansar em paz é mesmo Isabella, ou as pessoas que queriam o sangue dos supostos culpados?
Esse desejo mórbido do olho por olho, dente por dente, impulsionado pela força da Rede Globo, transformou o caso numa novela da vida real com apenas um propósito: alavancar sua audiência e prender o telespectador a cada capítulo que se desenrolava.
Somente faltou colocar no ar um número de telefone com as opções “Culpados” e “Inocentes”, transformando a tragédia da morte de uma menina num grande Big Brother do horror.
Um abraço,