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Editorial - Breno da Mata

NÔO SOMOS BARATAS

10/25/2005 12:00:00 PM
Editorial - Breno da Mata

Breno da Mata

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É cada vez mais evidente para mim, que os nossos representantes nos consulados brasileiros nos EUA, estão longe de exercer uma boa administração junto à comunidade brasileira. Como se não bastasse ver a falta de preparação do Sr. Júlio César Gomes dos Santos, ao classificar os hispâncos de “cucarachos” e recomendar que fiquemos longe deles, numa clara demonstração de preconceito, ainda tive o desprazer de presenciar como o Sr. Jorio Salgado Gama, Cônsul geral em Boston, se irritr com as perguntas dirigidas a ele durante um debate sobre a atuação dos consulados nos EUA, realizada em Boston. Os demais consulados, todos convidados a participarem do evento, sequer responderam ao convite, deixando nítido que não estão de fato preocupados em discutirem com a comunidade os diversos problemas que enfrentam. A participação do embaixador Manoel Gomes Pereira, vindo do Brasil, somente aconteceu por uma imposição do Itamaraty. Estas atitudes evidenciam a inoperância e a falta de comprometimento com os brasileiros, que de uma forma ou de outra são dependentes dos serviços dos consulados. Infelizmente a mudança do governo, quando da eleição de um homem do povo, não alterou a forma de pensar e agir dos nossos diplomatas, que mesmo não reconhecendo, agem de forma arrogante e superior no trato com a comunidade, formada em sua maioria de pessoas simples, mas que deixam milhões de dólares todos os anos nos cofres do governo. Mesmo não representando a maneira de pensar de muitos funcionários dos consulados, as declarações do Cônsul de Nova York demostram claramente o pensamento preconceituoso de quem acha que o imigrante hispânico (como se nós não fôssemos imigrantes), está num nível inferior ao nosso. Dentro dos EUA, não existe diferenciação, já que todos somos, antes de tudo, imigrantes. E, em muitos casos, ilegais. Aos olhos da justiça americana, pouco importa se você veio do México, do Equador ou do Brasil. Porém, enquanto houver discriminação dentro da própria comunidade de imigrantes, o único que sai ganhando são aqueles que lutam para expulsar do país os imigrantes indocumentados. A força destas comunidades, se reunidas, seria mais do que suficiente para pressionar qualquer governo a aprovar medidas que nos beneficiasse. A única forma de demonstrar isso é mexendo na parte que mais atenção desperta nos americanos – o bolso. Não importa se o governo afirma que os imigrantes ilegais são uma carga pesada para os cofres públicos. O que realmente conta são as milhares e milhares de companhias que dependem quase que exclusivamente da mão-de-obra dos imigrantes para sobreviver. Em países europeus, como a Alemanha, que vê a sua população envelhecer, existe uma corrida desesperada para atrair imigrantes que possam suprir os postos de trabalho. Os EUA irão, cedo ou tarde, ter de reconhecer que serão os imigrantes a solução para a falida previdência social. No entanto, é de primordial relevância que as comunidades reconheçam a força que existe se todos, "baratas" ou não, se unirem. Um grande abraço, Breno da Mata Editor/Diretor

Breno da Mata

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