Breno da Mata Versão para impressão
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No Brasil, o despreparo da polícia, aliado à banalização da violência e da impunidade, vem provocando uma série interminável de mortes de cidadãos causadas por policiais.
Até crianças estão sendo vítimas das balas vindas das armas de quem deveria protegê-las.
A morte absurda de um brasileiro em Massachusetts, neste final de semana, vem demonstrar que erros cometidos por policiais contra os cidadãos não são uma exclusividade brasileira.
André Martins foi morto a tiros por um policial de West Yarmouth, depois de se recusar a parar o carro numa blitz.
Ainda não está claro sobre o motivo exato que levou o brasileiro a tal atitude, mas o mais provável é que ele não tinha carteira de motorista e por esse motivo teria tentado fugir.
De todo modo, matar uma pessoa sem nenhum histórico criminal somente pelo fato dele não ter parado o veículo me parece um tanto quanto exagero e despreparo policial.
Mas para quem pensa que este evento é um caso isolado, é melhor reavaliar este pensamento.
A conduta policial nos Estados Unidos está longe de ser um exemplo para o resto do mundo. Apesar de manter índices bem inferiores a países como Brasil e Somália, por exemplo, os dados mostram que ainda há muito a ser feito.
Tome por exemplo o caso de Nova Iorque. Segundo o Human Rights Watch, uma organização internacional que luta pelos direitos humanos no mundo, 68% da força policial é composta de brancos, o que, segundo a organização, contribui para a violência contra os grupos minoritários, como negros e latinos por exemplo.
Principalmente num momento de grande tensão com relação à imigração, muitos casos de abuso contra indocumentados passam despercebidos aos olhos da justiça.
O caso do policial George Bubaris, que foi absolvido da acusação de matar o hispânico Rene Perez em Nova Iorque, ilustra bem como a justiça não julga com o mesmo rigor aqueles que cometem crimes contra imigrantes indocumentados.
Os departamentos de polícia espalhados pelo país também contribuem para o problema na medida que falham em não apurar com rigor as denúncias de abuso policial.
O caso Abner Louima em Nova Iorque, incidente no qual um imigrante haitiano denunciou ter sido espancado e violentado com um cabo de madeira inserido em seu ânus, chocou o mundo em 1993. Os policiais que sabiam do acontecido não denunciaram o incidente imediatamente e sequer forneceram informações aos responsáveis, aparentemente acreditando que iriam se safar mesmo que o fato tenha ocorrido numa movimentada delegacia.
Embora todo os EUA e até mesmo outros países vejam Nova Iorque como um modelo de policiamento eficiente, a cidade também oferece um modelo de como não fiscalizar a polícia.
Um abraço.