Breno da Mata Versão para impressão
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Nesta segunda-feira, quando mais uma edição semanal deste jornal é concluída, o mundo comemora a derrubada do Muro de Berlim, que separou a Alemanha comunista da capitalista por quase três décadas.
O muro, símbolo maior da intolerância entre os homens, caiu na Alemanha pressionado por um efeito cascata da queda do comunismo no leste europeu, mas o artifício de construi-los persiste desde o início dos tempos.
Desde a Muralha da China, passando pelo próprio Muro de Berlim, pelo Muro da Cisjordânia até o muro entre os Estados Unidos e o México, o ser humano ainda vive num período em que se permite uma pessoa morrer de fome ou ser assassinada para defender o “território dos invasores”.
Em 2006, um levantamento feito pela ONU analisou 57 comunidades palestinas impactadas pelo Muro da Cisjordânia e encontrou ali 94 cidadãos palestinos – a maioria mulheres e crianças – que nunca receberam o “visto”. Como resultado, estas pessoas vivem literalmente presas entre a Cisjordânia e Israel, apavoradas demais para arriscarem deixar o local e serem flagradas pelos soldados israelenses.
Já o muro entre os EUA e o México tem 965 km de extensão e representa a intolerância do país para com os imigrantes latinos. Somente este ano cerca de 500 pessoas morreram tentando entrar no país pelo deserto. Existem os muros menos evidentes, que apesar de não serem construídos de tijolos e cimento, do mesmo modo impedem as pessoas do seu direito básico de ir e vir.
Cuba, por exemplo, conta com um muro natural. Um oceano que separa os seus habitantes do resto do mundo. Reforçado pelo sistema comunista de Fidel e Raul Castro, muitos vivem um isolamento imposto pela intolerância de um governo que não acredita na liberdade de expressão.
Assim como os chineses, os romanos e tantas outras civilizações que achavam que a solução para manter o seu país próspero era proteger a sua área territorial com muros, as nações de hoje parecem que não aprenderam a lição que a história nos ensina. Continuam a segregar ao invés de oferecer oportunidades a quem precisa. Continuam a dividir aquilo que um dia foi de todos.
Mas se a história se repete, talvez daqui a alguns anos, ou décadas, iremos olhar para estes muros de hoje e sentiremos envergonha de não ter aprendido nada.
Um abraço,