Breno da Mata Versão para impressão
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Quando Barack Obama foi eleito o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, os imigrantes em geral comemoraram o feito. Não pela razão racial da questão, mas pela esperança de finalmente ter uma pessoa no governo que parecia disposto a mudar o rumo dos cerca de 12 milhões de indocumentados promovendo um ampla reforma.
Seis meses depois, as chances de uma mudança este ano, e consequentemente em 2010, parecem cada dia menos prováveis.
A reunião acontecida na última semana entre o presidente e os senadores na Casa Branca indica que pouco ou nada mudou na intenção dos congressistas neste aspecto. A maioria ainda se recusa a fazer qualquer coisa que possa beneficiar os imigrantes.
A improbabilidade de uma aprovação este ano, devido à pressão que a má fase econômica coloca, irá se repetir em 2010, quando os senadores estiverem mais preocupados com suas eleições e re-eleições.
O governo está, aos poucos, mostrando que a vida dos imigrantes pode piorar antes de melhorar com uma eventual reforma.
Nesta semana que passou, o Departamento de Segurança Interna, que comanda a Imigração, enviou cartas para 652 empresas notificando que elas serão auditadas para saber se contratam imigrantes indocumentados. Este número supera - em apenas uma semana - o que foi enviado durante todo o ano de 2008.
Se por um lado a medida mostra que a atenção do governo pode estar deixando de ser a prisão dos imigrantes para se concentrar nos empregadores, o efeito que a ação irá causar nestas famílias que já sofrem com a crise econômica, poderá ser devastadora.
A teoria dos democratas é simples. Nenhuma reforma terá chance de ser aprovada sem antes agradar aos anti-imigrantes com medidas duras e retaliativas.
A mim causa espanto como este grupo possui muito mais força política do que aqueles que lutam por uma mudança nas leis.
Me espanto ainda mais quando me deparo com conterrâneos que, já tendo a felicidade de se legalizarem, viram as costas para a própria comunidade.
Um abraço,