Breno da Mata Versão para impressão
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Barbara Kowalcyk não poderia imaginar que o seu filho de apenas dois anos de idade estava correndo risco de vida quando ela, e o marido, o levaram para almoçar em um restaurante fast food.
Kevin foi contaminado pela bactéria E. coli O157:H7 falecendo 12 dias depois.
A história de Barbara foi mostrada no documentário “Food, Inc.” de Robert Kenner e mereceu uma indicação ao Oscar em 2010.
Para quem ainda não assistiu ao filme, fica a minha recomendação. Quem faz parte do meu convívio sabe que a minha preocupação com o que coloco no meu organismo é uma constante em minha vida.
Mas depois de assistir à “Food, Inc.” (Indústria da Alimentação, em tradução livre), minha preocupação aumentou ainda mais. Todos deveriam assistir ao documentário para fazer uma escolha consciente daquilo que escolhe para colocar no prato.
O diretor Robert Kenner mostrar como os Estados Unidos, tão endeusado por alguns, deixou a nossa alimentação ser dominada por meia dúzia de multinacionais que o transformaram em exatamente isso, uma fábrica de alimentos.
A corrupção e o jogo de interesses das grande corporações manipula os legisladores para promover leis que sempre os beneficiam, em detrimento do direito dos consumidores.
“Food, Inc.” mostra como a produção de carne se transformou em uma linha de montagem ao estilo das indústrias eletrônicas, com a diferença de que, no lugar de chips e hard drives, tem-se bois e galinhas.
Câmeras escondidas monstram as chocantes imagens de como os abatedouros tratam os animais e manipulam a carne.
Diretores das agências do Governo responsáveis pela fiscalização são ex-executivos de grandes empresas de abate. Hoje, é proibido por lei em muitos estados fazer imagens dentro das empresas.
Mas o que eles tem para esconder?
Tanto na criação bovina, equina quanto ovina, as manipulações genéticas, a alimentação dos animais e a forma como são criados, resulta em períodos cada vez mais curtos entre o nascimento e o abate.
Como consequência, multiplicam-se as crises de epidemias por todo o país.
Dez anos depois da morte de Kevin, ninguém foi punido e nenhum sistema multou, a despeito da aprovação de uma lei que prevê a fiscalização nos grandes produtores. Chamada de Lei de Kevin, falta ainda vontade política para aplicá-la e assim brigar contra o poder financeiro das grandes empresas.
Os interesses financeiros acima dos interesses do povo não são um privilégio dos países ditos de terceiro mundo.
Um abraço,