Breno da Mata Versão para impressão
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A percepção de que muitos brasileiros estão deixando os Estados Unidos com a intenção de não voltar mais está presente a cada minuto de nossas vidas. Em quase todos os lugares que se vai, nos deparamos com pessoas que já colocaram para trás a vida na América e estão somente à espera do dia do embarque.
É difícil estimar o número preciso, mas a certeza de que são muitos se prova real a cada instante. Eles estão lá. Nos restaurantes, igrejas, oficinas, escritórios e casas de amigos. Por todo lado é cada vez mais fácil e comum nos depararmos com estes brasileiros. Quem ainda não está de passagem marcada para este final de ano e início do próximo, já se prepara para viver 2010 como o último ano longe do Brasil.
Com raras exceções, o motivo que está levando tanta gente é a crise econômica, aliada à falta de esperança em uma possível legalização. Depois de 5, 10, 15 anos vivendo às margens da sociedade, o que se traduz em não poder dirigir legalmente e ser negado do direito de visitar filho, pais, mães e irmão no Brasil, muitos sentem que paciência tem limite e que é chegada a hora de voltar.
Ironicamente, nunca estivemos tão próximos de uma reforma imigratória como agora. O governo Obama vem dando sinais claros de que o momento para se fazer algo neste sentido tem que ser agora. Jane Napolitano, a toda-poderosa do Home Land Security, já compareceu ao senado em duas oportunidades. Na última, ocorrida semana passada, ela afirmou que fechar as fronteiras, prender e deportar imigrantes criminosos e punir empresas que contratam indocumentados não irá funcionar por muito tempo sem uma legalização.
Os esforços do governo de iniciar o debate se junta à ação concreta do deputado federal Luis Gutierrez, que nesta terça-feira (15) entrou com um projeto de lei para aprovar de fato a legalização.
Durante um discurso para um grupo de latinos, Gutierrez disse que temos que ter o exemplo do Martin Luther King Jr. que não ficou apenas na retórica da igualdade racial. Ele foi à luta para acabar com a discriminação dos negros, pagando com a própria vida.
O debate no país inteiro será tão ou mais intenso que o atual da reforma da saúde, mas sem luta não há vitória. E sem união não há sequer luta.
Se a união e a luta não ocorrem agora, talvez depois não haverá pessoas suficientes para se juntarem à causa.
Um abraço,