Breno da Mata Versão para impressão
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Nem tudo está perdido. Este foi o sentimento que ficou depois de comparecer à tarde de autógrafos do livro “True Word”, regado à poesia e MPB.
Realizado na Biblioteca Pública de Danbury, no último domingo, o evento contou com um público pequeno, porém de qualidade.
Ouvir declamação da poesia “Saudade” do co-autor do livro João Nunes, foi um momento impagável. Ele, que também é músico e médico psiquiatra, soube colocar em forma de poesia tudo aquilo que a palavra significa na língua portuguesa, e o que se perde ao tentar traduzi-la em outros idiomas.
O mesmo posso dizer de outros poemas, presentes no livro de autoria da nossa amiga Maria Ataíde e do Ninho.
Dois dias antes, outro acontecimento literário na cidade lançava o livro “Janeiro 30”, de Beto Cabral.
Eu não deveria, mas me surpreendo quando pessoas de nossa comunidade mostram que não é somente de futebol, Rede Globo e cerveja que vivem. Ambos os eventos, como já mencionado, tiveram público reduzido. Não podia ser diferente. Caso fosse uma tarde de pagode, o local teria ficado pequeno. A massa ainda despreza eventos culturais como estes. Talvez seja este o motivo pelo qual ainda precisamos de norte-americanos cantando em português as músicas de Tom Jobim.
É uma pena que nossos conterrâneos não dão o devido valor, pois acredito que qualquer um que tivesse comparecido teria aplaudido o que viu.
Ao longo destes 12 anos de jornalismo nos Estados Unidos, tive a felicidade de acompanhar a carreira de muitos artistas. De músicos a pintores, de escultores a atores. Hoje me orgulho em dizer que o Comunidade News é um dos poucos veículos de comunicação que oferece tanto espaço para a arte e a cultura.
Não vejo isso como mérito, mas sim uma obrigação para com as pessoas que tentam fazer a diferença. Pessoas que resistem ao lugar-comum das tardes de domingo no sofá de casa assistindo ao Faustão.
Nossa comunidade é mais, muito mais do que isso. Somente precisamos dar o devido valor e saber apreciar o que temos de bom.
Um abraço.