Breno da Mata Versão para impressão
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Há tempo para tudo nesta vida. Nada é eterno. Devemos saber reconhecer quando algo chega ao seu fim. Talvez sofrêssemos menos, ou apenas viveríamos sem saber o que teria acontecido adiante.
As lembranças de uma época, um sonho, momentos vividos com intensidade, tudo se perderá no tempo levado pelos anos que teimam em passar com espantosa rapidez.
Como disse o andróide no clássico Blade Runner, de Ridley Scott: “Todos estes momentos irão se perder no tempo, como lágrimas na chuva”.
Corremos dia a dia para realizar algo que não sabemos ao certo o que é, ou quando será realizado. Ontem minha mulher disse uma frase que ficou: “quando somos jovens, queremos ter tudo na vida, agora, queremos ter apenas saúde para poder viver”.
Mas a vida não começa aos 30 ou 40, ela começa desde o dia em que nascemos. Porém, passa-se a vida inteira achando que ela somente se inicia quando conseguimos a casa, o carro, o barco, a moto. Olhando para trás, vemos que a vida que deveríamos ter vivido com intensidade, ficou no meio do caminho, sem ser vivida, a espera de um momento que nunca sabemos ao certo qual é.
Roger Waters descreveu com precisão na música Time o conflito que nos persegue: “Você é jovem, a vida é longa e existe tempo para se matar hoje. Mas um dia você descobre que 10 anos se passaram. Ninguém lhe disse quando começar a viver. Você perdeu o tiro de partida”.
Na verdade, não há avisos para alertar quando devemos fazer ou deixar de fazer algo. Apenas vivemos como um barco sem capitão, levado pelo vento, sem destino mas na esperança de encontrar um porto seguro. No meio desta jornada, a nossa vida vai se formando com os fragmentos de tudo que vivemos.
Sonhos pouco ou muito realizados, paixões bem ou mal resolvidas, trabalho, viagens, alegrias e tristezas. Deixamos de curtir momentos que pareciam banais no passado, como brincar com o filho pequeno ao chegar em casa. Hoje, o filho já não é pequeno e não quer mais brincar com você. Instantes simples de felicidade que deixamos escapar sem perceber que a vida é feita de simplicidade, e não de sofisticação e status.
A inocência da infância cede lugar à crueldade da vida adulta, que nos rouba para sempre a percepção da beleza que existe na própria vida.
Um abraço,