Breno da Mata Versão para impressão
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A crise dos anos 80 e 90 empurrou mais de 1 milhão de pessoas para o exterior, a grande maioria para os Estados Unidos. Durante muitos anos, os brasileiros entraram nos EUA por todos os meios possíveis e imagináveis.
Os dois países viviam momentos econômicos de forte contraste. Enquanto o Brasil passava por uma recessão, os EUA viviam anos dourados. Impulsionado pelo boom imobiliário, a comunidade brasileira cresceu e muitos enriqueceram em poucos anos.
Neste contexto da busca pela riqueza, o número de imigrantes que entrou no país por vias ilegais cresceu exponencialmente. Como resultado, os brasileiros foram conquistando fama e perdendo privilégios. O primeiro deles foi a proibição de participarem da loteria do green card.
Quatro anos depois, a história dos dois países se inverteu radicalmente. De exportador de imigrantes há 10, 15 anos, o Brasil agora bate recordes na emissão de vistos de trabalho para estrangeiros. A maioria concedida para os americanos.
O retorno à terra natal virou história comum por todas as cidades onde existe uma comunidade brasileira.
Sem trabalho e vendo as oportunidades surgirem no Brasil, a volta se tornou decisão fácil para muitos.
Mesmo assim, uma quantidade de brasileiros continuam querendo vir para os EUA, mas como turistas. Somente em 2010, foram 1,2 milhão de pessoas que gastaram em média U$4.920 cada um.
E é de olho nesta grana que alguns políticos e empresários estão sugerindo que o Brasil faça parte da lista de países dispensados da necessidade de visto para entrar. Atualmente, duas leis tramitam no congresso pedindo que se acelere a emissão de visto para os brasileiros.
Mas a realidade é que o departamento que toma as decisões está mais preocupado com a segurança do que com dinheiro que entraria com tal medida.
Mesmo não tendo nenhum histórico de terrorismo, o Brasil poderá nunca ser incluído no benefício da isenção.
Mas quem perde mais com isso não é o Brasil e sim os EUA, que vivem uma crise econômica profunda.
Hoje o brasileiro está mais preocupado em fazer compras e voltar para casa com os eletrônicos de última geração, do que lavar pratos e cortar grama daqueles que, em muitos casos, nem podem mais pagar pelo serviço.
Um abraço,