Breno da Mata Versão para impressão
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A relação entre o Brasil e os Estados Unidos, diplomaticamente falando, nunca foi ruim. Ambos mantêm uma razoável linha de conduta que podemos chamar de civilizada.
Será?
Depois de 10 anos cobrindo notícias envolvendo brasileiros nos dois países, começo a perceber que muita coisa está fora dos eixos.
O caso do norte-americano David Goldman, o mais recente que envolve a diplomacia do Brasil e Estados Unidos, mostra que muita coisa ainda está longe de ser considerada ideal.
David luta, há quatro anos, para trazer o filho de 8 anos, Sean Goldman, do Brasil. O garoto foi sequestrado pela própria mãe, Bruna Bianchi, em 1999.
O pai legítimo de Sean nunca se separou oficialmente da ex-mulher.
Mesmo assim ela conseguiu, sabe-se lá como, casar novamente e obter uma nova certidão de nascimento para o filho, riscando da árvore geológica a existência do pai biológico.
Ambos os países falharam em resolver tal situação, que beira o absurdo.
Casos judiciais que envolvem o Brasil e os EUA provocam situações que, no final, deixam de punir culpados e fazer justiça às vítimas.
O caso da brasileira Cláudia Hoerig, que assassinou a tiros o marido Karl Hoerig, 44, em março de 2007 é um exemplo.
Quase dois anos se passaram desde o crime, porém sem tratado que obrigue a extradição dela, Cláudia, que fugiu para o Brasil no mesmo dia do crime, nunca mais foi importunada.
A recíproca também se prova verdadeira quando o assunto é enviar seus filhos para pagarem por crimes cometidos fora do país de origem.
No caso dos EUA, o exemplo mais clássico, e também o mais trágico, foi o acidente do avião da GOL com o jato Legacy onde 154 pessoas morreram. O relatório final da Aeronáutica concluiu que os pilotos, no caso os norte-americanos Joe Lepore e Jan Paladino, operaram de forma errada o transponder, o sistema anti-colisão da aeronave.
Mesmo assim, mais de dois anos após a tragédia, os pilotos se encontram sãos e salvos em terras norte-americanas onde, diga-se de passagem, foram recebidos como “heróis”.