Breno da Mata Versão para impressão
Enviar para um amigo
|
Quase oito anos depois de aparecer pela primeira vez no Senado dos Estados Unidos, o projeto Dream Act, que prevê a legalização de crianças e adolescentes sem status legal, volta a ser discutido.
A ideia do Dream Act é simples. Quem chegou ao país com menos de 15 anos, frequentou os bancos da High School e fez pelo menos dois anos de faculdade, seria elegível para receber o green card.
O argumento é de que este adolescente não chegou aqui por vontade própria quando criança. É um grande erro puni-lo por uma decisão tomada pelos pais. Se a polícia para um motorista que dirige acima do limite permitido, apenas ele é multado, não seus filhos que estão no banco de trás.
Porém, a razão principal vai além disso. Estas pessoas não são diferentes de nenhum norte-americano. Muitos, mesmo sem documentos, se formam nas melhores universidades do país. Participam intensamente de atividades que o dignificam e também o lugar onde vivem. Falam inglês com mais perfeição que o idioma do seu país de origem, gostam tanto de baseball quanto do futebol.
O que falta então? Falta reconhecimento. Falta conceder a eles as mesmas oportunidades que qualquer outro cidadão tem.
Porém, o projeto encontra resistência sempre que algum senador tenta aprová-lo. Este ano não está sendo diferente.
Muitos dizem que primeiro é necessário reforçar a fronteira para depois pensar em legalizações. O que é, na minha opinião, um disparate sem tamanho. Eu pergunto: o que muda na segurança do país se estes adolescentes se tornarem residentes permanentes?
Nada, não muda absolutamente nada.
Os Estados Unidos somente têm a ganhar. Quantos destes adolescentes, que poderiam ser médicos, engenheiros, advogados, estarão condenados a desistir do sonho prematuramente porque se veem fadados a viverem sem documentos, e portanto, à margem da sociedade?
Os Estados Unidos precisam, acima de tudo, agir com compaixão, deixando de ouvir as vozes daqueles que enxergam a questão de forma racista e preconceituosa.
Um abraço,