Breno da Mata Versão para impressão
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A insanidade que permeia a mente de muitos jovens norte-americanos está, há muitos anos, fora de controle. Enquanto as chacinas deixavam como vítimas cidadãos comuns, os Estados Unidos continuava no seu culto ao direito constitucional da posse de arma de fogo.
Agora (para os legisladores) é diferente. Entre as vítimas do ataque em Tucson, Arizona, estão um juiz federal e uma congressista. Ou seja, eles passaram a ser também o alvo da insanidade alheia. O jovem Jared Lee Loughner,de apenas 22 anos, agiu sozinho. Planejou seu ataque de forma calculada. Mas até onde a cultura da arma de fogo e o radicalismo da direita contribuíram para a tragédia?
O debate sobre este tema toma conta das redes de televisão, dos jornais e dos blogs. O Tea Party, que tem como uma de suas heroínas a ex-governadora do Alasca, Sarah Palin, está no olho do furação. Durante as campanhas para as eleições de outubro passado, o website oficial de Sarah Palin apresentava um mapa no qual um alvo de tiro focava nas pessoas que deveriam ser “eliminadas” da política.
A analogia, a princípio inofensiva aos olhos de uma pessoa normal, pode soar como uma incitação ao crime nas mentes mais perturbadas. Jared Lee Loughner tinha um alvo certo. A congressista democrata Gabrielle Gifford. Liberal e defensora das propostas do presidente Barack Obama, Gabrielle Gifford já havia sido alvo de um atentado, acontecido no seu quartel-general em Tucson, Arizona.
A Fox News se apressa em defender a ala radical da direita, questionando aqueles que apontam a retórica da violência como um dos agentes causadores do massacre.
Entre os que clamaram a nação a repensar o modus operandi, está o xerife do condado de Pima, no Arizona, Clarance Dupnik. Ele disse um dia após as mortes que “o debate inflamatório dos últimos meses poderia ter servido de germe para o ataque do sábado.”
A nação precisa encontrar um ponto de equilíbrio entre a tão defendida liberdade de expressão e a censura. Ambas, exercidas no seu extremo, colocam em perigo a sociedade que dizem defender.
Os Estados Unidos se transformaram em um campo de batalha, tanto fora do seu território quanto dentro. Até quando políticos inescrupulosos, preocupado com seus próprios objetivos, e crianças criadas fora de uma estrutura familiar, continuarão a
ser motivos de tragédia como a de Tucson e de muitas outras que a precederam?