Breno da Mata Versão para impressão
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Estão cada vez mais deprimentes os últimos dias do governo Bush. Às vezes, tenho a impressão de que até ele deixaria o cargo antes da data prevista se assim pudesse. Pelo menos evitaria os vexames que vem sofrendo.
A “incerta” que ele fez ao Iraque era para ser a sua volta de despedida, mas acabou se transformando no momento mais bizarro dos oito anos de governo.
Teria sido cômico se não fosse trágico a cena do jornalista iraquiano arremessando os sapatos nele depois de gritar: “É o beijo de despedida, seu cachorro”.
O incidente retrata o sentimento da maioria do povo iraquiano, que enxerga na presença yankee o absurdo de uma invasão nunca justificada, mas sim, construída à base de mentiras e falsos relatórios.
O jornalista Muntader Al-Zaidi, autor da audácia, virou herói. Já fizeram até passeata em Bagdá pedindo a sua libertação.
Ele terá de pagar multa e pode ficar preso até dois anos por ofender um líder estrangeiro durante visita ao país.
Curiosamente, o que pode colocar o jornalista em problemas não foi o ato de ter jogado o sapatos contra Bush, mas sim o fato do ocorrido ter se dado em frente ao Primeiro-Ministro e este ter corrido o risco de ter sido atingido.
Ao redor do mundo, mais de 100 advogados se ofereceram para defendê-lo de graça. É o repúdio estrangeiro a um líder que ficará na história como um dos piores presidentes que o país já teve.
Este sentimento está longe de ser encontrado apenas fora do país. Com uma popularidade no chão (em novembro era de apenas 34% de aprovação), a certeza de todos é de uma presidência que falhou.
A herança que ele deixa é de empresas em frangalhos, uma crise econômica sem precedentes nos últimos 75 anos e uma guerra sem sentido.
O “sapato voador” não acertou o alvo, mas atingiu em cheio a já fragmentada reputação do líder norte-americano.
Um abraço,