Breno da Mata Versão para impressão
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No alto dos meus quase 40 anos, ainda não consegui identificar o porquê da dificuldade que tenho em ser “puxa-saco” quando preciso ser. Já ouvi diversas vezes que todos nós temos que ser assim, quando é necessário. Eu particularmente até concordo. Basta ver que a vida dos puxa-sacos é de certa forma mais fácil. Há, na minha visão, uma diferença clara entre ser puxa-saco e ser educado e agradável. Confesso que tenho dificuldades em ambos. Ser “você mesmo” quase sempre traz dificuldades na nossa vida. É sempre mais fácil ser o que os outros querem ao invés de agir naturalmente. Todos nós gostamos das pessoas que sempre concordam conosco e que compartilham das nossas idéias. Ter que argumentar é sempre uma tarefa irritante para ambas as partes. Nos negócios, ser “social” requer muitos mais do que simplesmente ser educado. É necessário bajular. Só assim as pessoas vão conseguindo seus objetivos, seus contratos, suas vendas e suas promoções. Gostar ou não do chefe ou cliente, não importa muito. A verdadeira opinião nunca será expressada, pelo menos até que a relação comercial ou profissional acabe. Aí é outra história. Num mundo onde o dinheiro fala sempre mais alto, a hipocrisia e a falsidade têm seu lugar cativo. Pouquíssimas vezes observamos as pessoas terem relações comerciais baseadas no profissionalismo. Queremos sempre impor a nossa vontade, o nosso modus operandi às pessoas, principalmente quando pensamos que temos a vantagem financeira a nosso favor. Como resultado, observamos o seguinte: ou o cinismo domina amplamente estas relações ou não há relação de fato, pois sem o ingrediente básico - a bajulação -, não existe empatia entre as partes. Raramente somos empáticos. Exigimos das pessoas, mas não cedemos às nossas vontades, mesmo que elas causem danos a outrem. A sabedoria popular já dizia que “lidar com o povo é muito difícil”. Quem nunca pronunciou esta frase? Esta frase simples retrata uma relação complexa, que numa análise mais aprofundada mostra quão antagônico são as relação pessoais. Se iremos entender um dia a melhor forma de conduta, isso ainda é uma incógnita para mim. Um grande abraço, Breno da Mata Editor/Diretor