Breno da Mata Versão para impressão
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Fazer imprensa comunitária tem seus pontos altos e baixos. Da mesma forma que publicamos nas páginas deste semanário as boas coisas que nossos compatriotas fazem, e que não são poucas, também temos o dever profissional de reportar quando estes mesmos brasileiros infringem as leis.
Nestes quase 12 anos de trabalho, foram muitas as vezes em que publiquei matérias neste sentido. Matérias que expõem o que muitos não gostariam que fosse exposto.
Entretanto, em momento algum, sofremos intimidação e ameaça de agressão física. Infelizmente, nossa comunidade é tanto formada de pessoas responsáveis, honestas e educadas, como de brutamontes que pensam que a solução de qualquer problema passa pela violência física.
O caso dos 19 brasileiros detidos por participarem de briga de canários e aposta ilegal gerou uma grande repercussão na comunidade. Enquanto a maioria condenou o ato, alguns poucos defenderam os acusados com o argumento de “e quem nunca errou?”, inclusive atacando o jornal pela publicação das matérias.
Um dos detidos, apontado por outros acusados de ser um dos mais envolvidos nas brigas de canários, chegou a ligar para a redação para dizer que “nós” tínhamos acabado com a vida dele ao publicar a sua foto.
Neste último final de semana, um membro da família desta pessoa, chegou ao cúmulo de fazer ameaças de agressão física.
Perante as leis americanas uma queixa policial poderia ter sido feita, pois ameaça de agressão é crime neste país. Decidi nada fazer, até porque compreendo que a vida da família tenha-se transformado com a prisão do patriarca, e que esta pessoa tenta culpar o jornal por isso.
O verdadeiro culpado, no entanto, não é o jornal que publica a matéria, mas quem comete o crime, fato negligenciado por ele.
Não deixo de expressar o meu repúdio pelo ato de intimidação. Ato este que demonstra a falta de caráter para reconhecer o erro e trabalhar para a sua correção, falta de civilidade para saber que não é com força bruta que se resolvem os problemas e falta inteligência para entender que não deixaremos de fazer o nosso trabalho, mesmo frente a ameaças.
Infelizmente, algumas pessoas ainda teimam em pautar a sua vida com base no comportamento grosseiro da vida que tinha no Brasil, se esquecendo que não estão mais lá.
Um abraço,