Breno da Mata Versão para impressão
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As eleições para senadores e deputados nos Estados Unidos podem provar maléficas as chances de uma reforma imigratória.
Os republicanos, que agora controlam o Congresso, teriam dois anos para preparar um plano que legalizasse os milhões de imigrantes em situação irregular, mas pelas pessoas que ficarão encarregadas dos setores que lidam com o tema, podemos esperar mais tentativas no sentido de reforçar a segurança e eliminar os pouquíssimos benefícios existentes.
Os próximos líderes do Comitê Judiciário, para onde as leis imigratórias são apresentadas, Lamar Smith, do Texas e Steve King, de Iowa, têm um histórico pouco amigável aos imigrantes.
Em 1996, Smith apresentou um projeto de lei que previa o aumento na segurança e elevaria drasticamente as deportações através da limitação do acesso dos imigrantes detidos ao sistema judiciário. A lei resultou na ampliação dos casos em que os imigrantes estariam sujeitos à deportação em caso de ofensas, além de deixar muitos dos casos sem sequer receberem revisão de um juiz.
A lei pouco ou nada adiantou, tendo em vista o aumento significativo da imigração ilegal nas décadas seguintes.
Mas isso não impediu que tanto Smith como King buscassem mais formas de punir os imigrantes, ao invés de encontrar uma solução honesta que acomodasse e oferecesse oportunidades para as pessoas imigrarem legalmente para o país.
Ambos apoiaram veementemente a polêmica lei do Arizona. King foi além ao defender a discriminação racial como forma “legítima” de aplicar a lei.
Os dois deputados também são fortes apoiadores do uso do E-Verify, sistema usado pelas empresas para verificar se o funcionário é legalizado para trabalhar no país.
Mas o pior de tudo é a visão de ambos, quanto ao direito constitucional de toda pessoa que nasça nos EUA seja automaticamente cidadão norte-americano. Eles querem retirar este direito dos filhos dos imigrantes indocumentados.
O presidente Obama deveria tomar uma medida radical e drástica no sentido de conceder alguma forma de legalização, mesmo à revelia do congresso. Mesmo impopular, tanto os milhões de imigrantes que esperam e dependem disso, como a própria economia do país, irão agradecer.
Um abraço,