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Deixar o Brasil rumo a América é, em primeiro lugar, realizar o sonho da liberdade financeira que muitos que estão aqui nunca puderam desfrutar. São milhares de famílias que, juntas ou separadas, trocaram o pesadelo de uma vida instável e regrada, pelo sonho de viver dignamente. Sem sombra de dúvidas que este país proporciona para todos aqueles, que trabalham duro e honestamente, esta oportunidade. Porém um fato é cada dia mais corriqueiro. A destruição dos lares motivada pela ganância do próprio dinheiro, que um dia foi colocado como a solução para todos os problemas. Sem querer fazer julgamento de valores, um dos fenômenos que se abate sobre muitas famílias, é a inversão das posições ocupadas no lar. A cultura brasileira, aliada à característica do mercado de trabalho, coloca quase sempre a mulher dependente financeiramente do marido. Dificilmente vê-se o oposto. Esta padronização do modo de ser, em um lar normal onde a mulher exerce não menos importante papel de cuidar do lar, é vista pelo casal como comum. O homem sai para ganhar o sustento de cada dia, enquanto a mulher cuida da casa e dos filhos. De volta aos Estados Unidos, o que se observa é que este modus operandi deixa de existir, pois a mulher passa e exercer um papel diferente no seio da família. A possibilidade que o país oferece da mulher trabalhar e ganhar o mesmo que o marido e, em muitos casos mais, quebra a estrutura e inicia um processo de desmoronamento dos valores antes tidos como seguros. Muitas mulheres, que se encontram nesta situação de vantagem financeira, começam, mesmo que inconscientemente, a impor as suas vontades, talvez antes reprimidas, às custas da independência que agora sentem com relação ao marido. Como resultado vemos mais e mais casamentos se desfazendo, pois muitos homens não irão aceitar e assimilar a nova realidade que caiu de pára-quedas na sua cabeça. Infelizmente, muitas mulheres não seguem o mesmo rumo do Brasil, apesar da inversão dos papéis. Para elas, o dinheiro ganho nos EUA e os bens adquiridos no Brasil, não são frutos de um esforço mútuo, entre ela e o marido, mas sim um mérito próprio que, portanto não deve ser repartido. Um dos “efeitos colaterais”, deste novo fenômeno, são maridos e mulheres que escondem um do outro o que deveria ser compartilhado e dividido, para o crescimento da família e a realização dos objetivos que um dia foi o motivo para estar aqui. Se não existir nos casais a consciência de que cada um trabalha em função do bem-estar e futuro da própria família, principalmente daqueles com filhos, a razão maior de ter deixado o país, os parentes e amigos em busca de um vida de realizações, irá se transformar numa agonia diária, onde o que deveria ter sido a solução, se transformou num problema maior, como na história de Frankenstein. Antes que me acusem de machista, quero deixar bem claro que não sou contra a mulher trabalhar e ganhar tanto quanto o homem. Esta, aliás, deveria ser a realidade também no Brasil. Mas infelizmente o mundo, de uma forma geral, ainda é machista e reserva os melhores e mais bem pagos serviços para os homens. Mesmo aqui, onde há emprego para todos, esta realidade não deixa de ser a mesma. Só não a percebemos porque vivemos num mundo paralelo, onde os níveis de emprego disponíveis mascaram esta realidade. É preciso saber assimilar e evitar que o dinheiro suba à nossa cabeça, distorcendo nossa visão e nos levando a um processo de paranóia financeira, passando por cima de tudo e de todos, incluindo a própria família. Um grande abraço. Breno da Mata Editor/Diretor