Breno da Mata Versão para impressão
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Com o agravamento da crise financeira norte-americana nos últimos meses, começa a ganhar atenção um tipo de notícia que até bem pouco tempo era difícil, senão impossível, de ser encontrada. 31 milhões de americanos estão vivendo de Food Stamps, uma espécie de programa “Fome Zero” dos Estados Unidos. O valor? $6 por dia.
O governo Obama deverá ampliar a verba para os cupons em 13 por cento.
No país mais rico do mundo, este tipo de notícia soa surreal até mesmo para repórteres experientes.
Para tentar entender o que significa viver com os tais cupons de alimentação, alguns estão tentando sentir na própria pele, ou no bolso, a experiência de ficar 30 dias dependendo apenas da ajuda governamental para sobreviver.
O jornalista Sean Callebs, da CNN relata num blog o dia-a-dia de quem não pode gastar mais do que $6 em comida por dia.
Porém, uma coisa é viver por trinta dias sabendo que tudo voltará ao normal, outra é não ter expectativa de sair do buraco que se encontra.
Como o valor é insuficiente para um mês de compras, grande parte das pessoas, incluindo o jornalista, relata que os alimentos saudáveis são substituídos por produtos não perecíveis e que enchem a barriga.
Diferentemente de países como o Brasil, os norte-americanos em geral não estão acostumados com situações como esta. Deixar de lado o hábito das compras desenfreadas e desnecessárias nos shopping, pelas compras controladas nos supermercados com cupons nas mãos, não é definitivamente uma experiência boa.
Não se engane pensando que estas pessoas são pobres. Muitos, até bem pouco tempo, estavam empregados em ótimas empresas. São as vítimas de uma recessão que parece longe de acabar.
Hoje, segunda-feira, a bolsa de valores de Nova Iorque registrou o seu pior desempenho em 11 anos, levando economistas e empresários milionários a preverem um longo período de resultados negativos.
O valor dos imóveis ainda não encontrou o fundo do poço. Os bancos, que já receberam bilhões do governo, pedem mais sem no entanto dar qualquer garantia de resolver o problema do crédito, que continua restrito.
Se a crise tem provocado tanto sofrimento por aqui, ela também tem o seu lado positivo. Depois que o país superar este período negro, o norte-americano nunca mais será o mesmo.
Ficará claro que a vida não é somente ter um iPod, computador novo, carro do ano ou uma casa “chique” para receber os amigos.
Muitos estão aprendendo que os bens materiais não resistem à crise e que, se você constrói sua vida com base neste preceito, Food Stamps nenhum irá de confortar.
Um abraço,