Breno da Mata Versão para impressão
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Em 2003, quando o jornal Comunidade News tinha apenas um mês de vida, publicamos a notícia de capa que anunciava a captura do ditador Saddam Hussein pelas tropas norte-americanas no Iraque.
Hoje, oito anos depois, os Estados Unidos anunciam a morte do terrorista mais procurado do mundo: Osama bin Laden.
A morte do inimigo número um dos EUA provocou uma onda de celebrações por todo o país. Pessoas cantavam e bradavam seu orgulho de ser norte-americano. Desde os portões da Casa Branca ao ground zero onde ficavam as torres gêmeas, derrubadas por seguidores do terrorista mor.
Duas questões, entretanto, permanecem nos meus pensamentos. Paradoxalmente a alegria que todos sentem por ver um fanático fora de ação, não posso deixar de questionar os métodos que são usados para atingir tais fins. O olho por olho, dente por dente, que a humanidade deixou de seguir há milênios, volta a se apresentar em pleno século 21.
Não posso questionar se a morte de Bin Laden foi uma execução sumária ou o resultado de uma ação que tinha como objetivo a sua captura. Porém, o fato não deixa a verdade escondida. O terrorista era procurado vivo ou morto pelos Estados Unidos.
Isso significa que ser capturado vivo era um mero detalhe na busca por justiça.
Desde que o mundo moderno passou a controlar a sociedade através de leis, todos, até o pior dos terroristas, merece um julgamento justo. Foi assim até com Saddam Hussein.
De forma alguma isso significa uma defesa de Bin Laden. Nem nos mais remotos sentimentos, esta pessoa merece a minha simpatia. Muito pelo contrário.
A morte dele, apesar de significar uma grande perda para o movimento da Al-Qaeda e os radicais do jihad, não representa necessariamente a morte de um movimento. Pelo menos a curto prazo.
O mundo, e em especial os EUA, pode estar ainda mais sujeito a ataques e represálias devido a morte de seu líder.
Osama Bin Laden era odiado por muitos, mas, para muitos outros, era um herói abnegado.
As recentes guerras civis no mundo árabe, como no Egito e na Líbia, em que os cidadãos saíram de casa para protestar contra os governos, parecem mostrar um enfraquecimento de grupos como Al-Qeda. Mas as causas que fizeram surgir o radicalismo islâmico, e o consequente recrutamento de muitos jovens, permanece inabalado.
Somente o tempo dirá se o mundo será um lugar mais seguro sem Bin Laden. Espero que sim.
Um abraço,