Breno da Mata Versão para impressão
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Há cerca de 10 anos era comum ouvir a seguinte frase: quando os Estados Unidos espirram, o mundo pega uma pneumonia.
O Brasil, que estaria incluído neste “resto do mundo” acaba de provar que, somente não pegou a tal pneumonia, como está se curando do resfriado primeiro que os EUA.
A crise, que se provou muito mais profunda nos EUA, já dá sinais de que não irá causar mais danos do que já causou ao Brasil. Tecnicamente, a economia brasileira já está fora da recessão.
A Folha de São Paulo publicou, na última semana, uma reportagem especial com base em dados do IBGE, entrevistas e reportagens que mostram que o Brasil se encontra diante de uma oportunidade histórica de ingressar em um período longo de desenvolvimento com sustentabilidade. Em outras palavras, o país vai melhorar e muito nos próximos anos.
Entre os pontos mais importantes que sustentam esta afirmação estão a diminuição da desigualdade de renda, queda nos índices de trabalho infantil (influenciado pelo programa bolsa família) e aumento do índice de escolarização (97.5% dos jovens está na escola).
Em contra partida, nos EUA, nenhum índice ainda mostra que o país está prestes a deixar a recessão para trás. Na melhor das hipóteses, apontam especialistas, a recuperação poderá se iniciar no primeiro trimestre de 2010.
Enquanto no Brasil foram criados 242.126 empregos formais em agosto, os norte americanos perdem cerca de 70 mil postos de trabalho a cada mês.
Na cidade de Detroit, Michigan, a situação parece remeter ao Brasil de anos atrás. Com um índice de desemprego de 17.7% é difícil enxergar uma luz no fim do túnel. Mesmo antes da recessão começar, em 2008, Detroit já sofria com a crise do setor automobilístico há décadas. A situação é tão séria que já começam a surgir favelas na cidade, que somente foram vistas no país durante a grande depressão da década de 30.
Quem pensou que não viveria o bastante para ler notícias como estas, ou se surpreende ou nega a realidade, pois sempre conheceu um Brasil fadado a ser chamado de terceiro mundo. Em especial aos que, como eu, são exilados econômicos.
Pelo visto, a anistia está próxima.
Um abraço.