Breno da Mata Versão para impressão
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O plano que injetaria U$700 bilhões no sistema financeiro norte-americano não foi aprovado nesta segunda-feira (29) no Congresso. Uma segunda tentativa de aprovação deverá ocorrer na sexta-feira.
A bolsa de Nova Iorque caiu mais de 700 pontos. O pior dia da bolsa em Nova Iorque nos últimos 20 anos. No Brasil, o pregão foi interrompido depois de uma queda de 10%. O dólar ganhou 6% em relação ao Real.
A tensão que se abate sobre os americanos, temerosos com os rumos que o país tomará, aumentou substancialmente com a notícia de hoje. Dos programas de televisão à roda de amigos, a economia é o único assunto que as pessoas comentam.
Uma parcela grande da população é contra a ajuda aos bancos. Para eles, a ajuda milionária à Wall Street é uma afronta a todas as pessoas que estão hoje passando por dificuldades até para pagar o mortgage.
Afinal, os especuladores estão enviando uma conta de uma festa na qual 99% das pessoas não foram convidadas a participar.
O governo está trabalhando para salvar Wall Street, mas ninguém está bem certo quem irá salvar a Main Street.
Muitos imigrantes, pegos de surpresa nesta crise, só pensam em uma coisa: se a situação piorar (se é que pode piorar), volto para meu país.
Afinal, a previsão é de que a crise torne difícil até mesmo fazer compras nos supermercado, manter o pagamento da casa, encontrar emprego e conseguir crédito para as pequenas empresas. Todas as dificuldades que fizeram estas mesmas pessoas deixarem seus países de origem.
No mar de notícias desencontradas, dúvidas e total falta de conhecimento real da situação, alguns estão até ressuscitando o fantasma do confisco bancário feito pelo presidente Fernando Collor em 1990.
Vale lembrar que o governo americano garante todo depósito bancário até U$100 mil. Mas como o ditado diz que gato escaldado tem medo até de água fria, muitos podem não querer pagar para ver.
Não existe dúvida de que os EUA vai superar esta fase negra, mesmo que dure alguns anos, como prevê alguns economistas. A pergunta que se faz é: quem irá suportar a espera?
Mesmo no início da crise, quando o barco começou a fazer água, muitos já haviam partido. Agora, que o barco já naufragou e a água está no pescoço, poucos terão a resistência de ficar boiando por um período longo à espera do resgate.
Um abraço,