Breno da Mata Versão para impressão
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Estreou nesta última semana o filme “The Day After Tomorrow”, uma mega produção de Hollywood que trata de uma catástrofe iminente, que o planeta está sujeito, devido ao aquecimento global. Ele sugere um apocalipse em que todo o hemisfério norte fica coberto de gelo e neve. Porém, para um espectador que mantinha a atenção distante dos efeitos especiais, que fizeram Nova York ser coberta por uma onda gigante e depois congelada em questão de minutos, o mais interessante foi ver que os produtores do filme deixaram várias mensagens durante as duas horas em que o filme é exibido. Primeiro, e o mais óbvio, é a intenção de alertar o mundo para os perigos do aquecimento global, causado pelo buraco na camada de ozônio. A despeito dos exageros de Hollywood, a mensagem foi passada. Mas para os milhões de imigrantes que provavelmente irão ver o filme, a segunda mensagem é a que mais chamará a atenção. Numa cena que somente poderia ser vista na tela do cinema, milhares de americanos cruzam o Rio Grande, que separa o México dos Estados Unidos, para escapar da catástrofe que paira sobre a terra do Tio Sam. O repórter da Fox News fala ao vivo de como os americanos estavam entrando ilegalmente no México através da fronteira. Numa seção lotada, não houve um que não achasse graça da cena. A ironia não pára aí. Depois de receber a notícia de que o presidente dos Estados Unidos havia morrido, o vice-presidente fala em cadeia nacional de TV sobre o desastre e agradece ao vizinho por receber os refugiados de braços abertos. Enquanto milhares de ambientalistas do Green Peace e dezenas de meteorologistas aproveitam o filme para chamar a atenção sobre os perigos da destruição da camada de ozônio, seria interessante ver milhões de imigrantes fazerem o mesmo quanto ao tratamento igualmente desprezível que recebem. Felizmente a catástrofe dos EUA somente ocorre no cinema. Mesmo saindo da seção sentindo um alívio inconsciente de saber que tudo não passa de uma semi-ficção, o mesmo não ocorre com o desastre real que paira sobre a vida de milhões de imigrantes que vivem ao sul da fronteira do país. O tratamento hospitaleiro que recebem os americanos no filme, é respondido na vida real com prisões e deportações em massa dos verdadeiros refugiados dos países da América Latina. Estes sim, vivendo um pesadelo de décadas ao invés de duas horas. Um abraço Breno Da Mata Editor/Diretor