Breno da Mata Versão para impressão
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A visita que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez ao Brasil se apresenta com aspectos dúbios. Se por um lado o representante da nação mais poderosa do mundo não poupou elogios ao Brasil e aos brasileiros, por outro, nada, ou quase nada, de concreto foi realizado.
Para os brasileiros que vivem fora do país, dois assuntos eram observados com especial atenção: o acordo previdenciário entre os dois países e a ampliação dos vistos ou possível eliminação deles como exigência para ingressar em ambas as nações.
No primeiro caso, o assunto sequer chegou a ser mencionado pelo presidente ou sua comitiva diplomática. Segundo o Ministério da Previdência Social, os termos do acordo estão praticamente prontos, mas detalhes que ainda serão acrescentados ao texto final impediram a sua assinatura. Além disso, mesmo se fosse assinado, o acordo ainda tem que passar pelo crivo de ambos os senados.
A expectativa se justifica. Cerca de 1.5 milhão de brasileiros vivem nos Estados Unidos. Muitos contribuiram com a previdência por anos antes de deixar o Brasil. A possibilidade de combinar o tempo de contribuição dos dois países para fins de aposentadoria, seria de extrema valia para milhares de pessoas.
Já o acordo que poderia eliminar a necessidade do visto, chegou a ser comentada pelo presidente em um dos seus discursos. O Brasil busca ser incluído no chamado Visa Waiver Program (VWP), que contém as nações que não necessitam de visto para entrar em território norte-americano.
A medida seria benéfica para os turistas brasileiros, que chegam a 1 milhão por ano. Mas a proposta provocaria uma maior entrada de norte-americanos em território brasileiro. Do aspecto turístico/comercial, o Brasil ganha duplamente.
Porém, para os diplomatas brasileiros, as atenções estavam voltadas para um único aspecto: o assento permanente no Concelho de Segurança da ONU. Os EUA se recusam em indicar o Brasil para o posto.
A negativa tem seu motivo. A Casa Branca tem receio sobre a política de Brasília em relação aos seus vizinhos, especialmente Paraguai, Colômbia e Venezuela.
Dilma Rousseff se mostra mais aberta ao diálogo com os norte-americanos. Talvez a relação entre os dois países entre em um patamar no qual Lula tenha evitado ao longo dos seus dois mandatos.
É preciso, entretanto, sempre lembrar que Washington busca sempre seus interesses. Nada será feito sem que eles estejam se beneficiando política e economicamente.
Um abraço,