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Editorial - Breno da Mata

Falência de um modelo

04/15/2009 08:27:37 AM
Editorial - Breno da Mata

Breno da Mata

Foto: American Civil Liberties Union
Pedro Guzman (ao lado de seu irmão Juan Carlos Chabes), foi deportado para o México apesar de ter nascido na Califórnia.

Pedro Guzman (ao lado de seu irmão Juan Carlos Chabes), foi deportado para o México apesar de ter nascido na Califórnia.

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Realidade ou não, o simples fato do presidente dos Estados Unidos mencionar a frase “reforma imigratória”, já foi o suficiente para tirar da cadeira milhares de pessoas.

Milhões de imigrantes esperam este dia chegar há mais de dois anos, desde o fracasso da tentativa de aprová-la em 2007. O anúncio de Barack Obama em iniciar ainda este ano o debate na direção de uma reforma ampla, coloca esperança na vida de quem há muito não vê uma ponta de luz no fim do túnel. São cerca de 12 milhões de pessoas, cansadas de lutar por uma causa que parecia já perdida.

Apesar do momento político que vive Obama, os opositores da proposta tem novamente um argumento contrário. Assim como os atentados terroristas de Nova Iorque foram o mais forte aliado em 2007, este ano a economia e o alto índice de desempregados se provará uma retórica de peso para os inimigos da proposta.

Enquanto a reforma continua patinando, a Imigração segue cometendo seus absurdos. Uma longa reportagem investigativa da agência de notícias Associated Press aponta que cresce o número de cidadãos norte-americanos sendo presos e deportados como se fossem imigrantes indocumentados.

O caso de Pedro Guzman ilustra bem este tipo de absurdo. Nascido em Los Angeles, Guzman foi preso em 2007 devido a uma violação civil. Incapaz de ler ou escrever devido a uma debilidade mental, a justiça não perdeu tempo em colocá-lo numa prisão para imigrantes e deportá-lo para o México.

Por três meses Guzman perambulou pelas ruas de Tijuana, dormindo ao relento e comendo resto de lixo, enquanto sua mãe o procurava incansavelmente por hospitais e necrotérios. Ele foi finalmente encontrado tentando atravessar a fronteira.

E este é apenas um dos 55 casos já registrados. Advogados, no entanto, acreditam que existem muito mais.

Bruce Einhorn, um juiz da imigração aposentado, e que agora leciona na Pepperdine Law School, disse que estes casos são os sintomas de um problema muito maior e que nada poderia ser mais lamentável do que o país deportar seus próprios cidadãos.

Lamentável ou não, esta é a realidade de um país que baseia as suas ações em conceitos pré-estabelecidos. Se a pessoa tem cara de latino, portanto ele deve ser imigrante ilegal. Se é imigrante ele não deve pagar imposto de renda e por aí vai.

A luta contra este tipo de preconceito não deve começar contra as autoridades, mas antes disso, dentro da nossa própria comunidade, pois muitos já cederam a este pensamento errôneo e equivocado.

Um abraço,

Breno da Mata

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