Breno da Mata Versão para impressão
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Os brasileiros acordaram de luto no domingo. Choro, tristeza e baixo astral tomaram conta de milhões de brasucas espalhados pelos quatro cantos do mundo. Como entender e explicar a loucura do brasileiro por um simples esporte? Talvez em nenhum outro país do mundo a paixão pelo futebol chegue ao nível do Brasil, pode chegar perto, mas nunca irá se igualar ao que presenciamos a cada campeonato, a cada vitória ou derrota do time do coração. Na copa do mundo, até quem não gosta de futebol, vibra e torce pelo Brasil. A paixão pelo futebol extrapola a razão e continua sendo um mistério. Permanecem insondáveis as razões do fenômeno que faz um homem maduro comportar-se como criança quando o assunto é futebol. Desde a mais tenra idade, a bola é para a criança o brinquedo mais atraente, aquele que mais lhe distrai. Mal aprende a andar, e o menino já toma a iniciativa de chutar uma bola. Não precisa de treinamento nem de escola que lhe ensine. Nenhum brinquedo parece lhe ser mais agradável, ainda que tenha de enfrentar dois obstáculos intransponíveis: a parede que lhe devolve a bola, para que tudo seja iniciado outra vez, e a babá, de quem precisa estar se desvencilhando, daí nascendo para ele a descoberta do drible, jeito de não perder a cumplicidade e a companhia. A frase é de Tostão: “o menino antes de se apaixonar por futebol, já adora uma bola”. E a jornalista Juliana Tiraboschi sugere que no caso específico da criança brasileira, a paixão pelo futebol já venha embutida no seu DNA. Quanto a nós, adultos, porém, como explicar? Luís Veríssimo arrisca dizer que futebol é mesmo coisa de menino. “Começa como uma devoção infantil e, no fundo, nunca deixa de ser isso”. “É a parte de nós – acrescenta - que se recusa a crescer”. Em tempos de copa, o que conta é o orgulho patriótico de ser brasileiro. É torcer não só por um time de futebol, mas por uma nação, a despeito de todos os problemas, o futebol tem o poder mágico de fazer as pessoas esquecerem da violência, dos escândalos da política e da falta de emprego. Queremos ser vencedores, pelo menos no campo. Queremos gritar a palavra Brasil com todo o orgulho que possa existir, mostrando que nem tudo é ruim. Nós também temos as nossas qualidades. Falar mal da seleção brasileira é sacrilégio para os mais apaixonados. Não se admite comentários negativos, mesmo depois de derrotas como a que sofremos para a França. Pelé que o diga, foi execrado, ofendido, para dizer o mínimo, depois de ter ousado falar da possível derrota do Brasil para a França. Mal agouro? Ou simplesmente lógica e coragem? Nossos jogadores foram do céu ao inferno em menos de 24 horas. “Ninguém aceita a derrota. Tínhamos o dever de ganhar”, dizem os mais entusiasmados. Enquanto os atletas voltam para as suas mansões, pensando no que fazer com a fortuna já acumulada, nós voltamos para casa, restando apenas uma espera de quatro anos. Um grande abraço, Breno da Mata Editor/Diretor