Breno da Mata Versão para impressão
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Mesmo com todas as notícias, amplamente divulgadas na mídia nacional e estrangeira, a respeito da crise em que passa os EUA, com ênfase nas comunidades latinas, muitos se recusam a enxergar o óbvio e teimam em acreditar numa vida melhor fora do Brasil.
A série de matérias que o Comunidade News está fazendo sobre a travessia ilegal de brasileiros, usando os serviços dos coiotes, tem demonstrado que o preço de chegar aos Estados Unidos pode ser muito alto.
E quando eu falo em preço alto, não me refiro somente ao valor financeiro. O preço vai muito além.
Temos presenciado o sofrimento, a pressão psicológica, as agressões físicas e até a morte de brasileiros, como foi o caso do paranaense em abril último.
O caso do mineiro Norival, detido em cativeiro pelos coiotes, revela o submundo do tráfico humano.
Confiar nessas organizações, se assim podemos chamá-las, é o primeiro erro de quem pensa em se aventurar pelos perigosos caminhos da travessia ilegal.
Diferentemente de uma empresa estabelecida, esta não dá garantias e freqüentemente usa seus “clientes” para resolver disputas internas.
Governador Valadares é o centro nervoso das quadrilhas. 90% dos brasileiros que aqui chegam de forma ilegal, saíram das mãos de pessoas da cidade mineira.
A banalização dos casos que envolvem os coitotes é tão grande que a Polícia Federal tem dificuldades de levar a sério as denúncias feitas pela imprensa e até mesmo pelos familiares das vítimas.
E quando resolvem agir, várias semanas se passam, o que para quem se encontra em cativeiro sofrendo agressões, é uma eternidade.
As quadrilhas abusam da impunidade e da coerção, sustentada no poder de aterrorizar as famílias das vítimas.
O Governo Federal fecha os olhos para o problema. Afinal, cada conterrâneo que sai, além de ser um a menos nas estatísticas de desemprego, torna-se um potencial remetente de dinheiro para o país.
A Interpol, que tem autoridade de ação nos casos de brasileiros vítimas de crimes fora do país, pouco faz para investigar os casos conhecidos.
Nessa espiral de crimes, corrupção, descaso e sonho, muitos vão ficando pelo caminho e enriquecendo aqueles que vivem do sonho alheio.
Um grande abraço,