Breno da Mata Versão para impressão
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Que os Estados Unidos dependem da mão-de-obra dos imigrantes, todos nós sabemos. Aliás, não somente nós, mas os americanos também.
Ironicamente, eles se recusam a reconhecer publicamente tal fato, se escondendo atrás de frases racistas de muito efeito, mas pouca veracidade.
A máscara que esconde estas pessoas da verdade começa a cair. Esta semana uma figurona do Departamento de Imigração foi presa por, vejam vocês, empregar uma brasileira sem documentos. E mais, ainda dava dicas a ela de como se manter no país sem ser importunada.
A notícia (que pode ser lida aqui: www.comunidadenews.com/imigracao/housecleaner-brasileira-derruba-alta-funcionaria-da-imigracao-4439 ) correu o país e provocou a reação de pessoas de ambos os lados da questão.
Enquanto o trabalho dela consistia em garantir que as entradas de aeroportos e portos da Nova Inglaterra estivessem seguros da imigração ilegal, ela manteve durante oito anos uma brasileira sem documentos como housecleaner.
Esta não é a primeira vez que pessoas, que se mostram duras contra os imigrantes, são pegos de calças curtas.
Em 2006, o então pré-candidato à Casa Branca, Mitt Romney (conhecido por advogar o endurecimento das leis imigratórias), se envolveu numa polêmica depois que o jornal The Boston Globe publicou uma matéria mostrando que a empresa que cuidava do jardim da mansão dele empregava trabalhadores indocumentados.
O caso desta semana é apenas um grão de areia diante da brutal realidade que o país tenta ignorar. Os trabalhadores indocumentados estão por todos os lados, em quase todos os setores da economia e em 90% das casas onde existe uma empregada doméstica.
O falso moralismo que paira sobre os americanos não resistiria a uma semana sem a presença dos imigrantes neste país. Era somente o que precisava, uma semana.
Mesmo durante tempos de recessão, onde milhares de pessoas estão perdendo seu emprego, os imigrantes sempre irão ocupar um espaço onde poucos, muito poucos americanos teriam a coragem de estar.
Mesmo criticando o imigrante indocumentado, a madame prefere fazer vista grossa a ter que limpar a própria sujeira.
Um abraço.