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Editorial - Breno da Mata

Época de ouro?

06/06/2006 09:00:00 AM
Editorial - Breno da Mata

Breno da Mata

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Os anos passam numa velocidade na qual não conseguimos acompanhar as mudanças que ocorrem a cada dia. Apesar de acontecer bem em frente ao nosso nariz, percebemos muito pouco o impacto que as novidades estão tendo em nossas vidas. Para aquelas pessoas que estão acima dos 38 anos, pare e pense na sua vida antes e na vida de seus filhos ou netos agora. A mudança é tão radical em alguns aspectos que temos que estar felizes por estarmos vivos. Por outro lado, a inocência desta geração terminou. Hoje os vídeo games, TV a cabo, as músicas da banda É o Tchan! e os bailes funks dominam a atenção dos jovens e crianças. Na nossa infância, a diversão não estava no último lançamento para o playstation, mas sim na bicicleta monareta e no jogo de bola de gude, acompanhadas pela amizade e o companheirismo dos amigos, que era mais importante. Basta olhar à nossa volta. Não existe mais crianças brincando de pega-ladrão e bate-esconde como antes. O que aconteceu? Quando saíamos de casa para brincar na rua, ninguém tinha telefone celular para ser localizado a qualquer lugar. Mesmo assim nos divertíamos o dia todo e só voltávamos para casa com o dia escurecendo. Não perdíamos horas na frente da televisão assistindo ao Faustão ou a MTV. Quando assistíamos televisão, nosso herói era o Garibaldo, do saudoso Vila Sésamo. No mundo feminino, a rainha foi sem dúvida a Xuxa, com seu encanto e beleza infantil, hoje já perdido. As quase meninas da atual geração já dançam na “boca da garrafa” e namoram como adultas aos 12 anos de idade, talvez deixando de viver a fase mais bonita da vida. A cultura do supérfluo ainda não havia nos contagiado. Brincávamos de soltar pipa com a mesma alegria dos que hoje percorrem os shoppings a procura de eletrônicos e roupas de marcas famosas. No final dos anos 70 e início de 80, a música brasileira, embalada pelo idealismo utópico da liberdade, inspirava os artistas a comporem letras que ficaram para a história. Alguns destes músicos, que ainda estão em atividade, vivem da fama das canções compostas neste período, comprovando que nem eles conseguiram superar, em termos de qualidade, este período. No campo da política, ainda havia alguma esperança no “país do futuro”. Ainda se acreditava nas mudanças que a Diretas Já prometia trazer. Ainda se acreditava em partido honesto, de intelectuais capacitados a fazerem a diferença. A juventude de hoje odeia política, desconhece o assunto e parece não se importar com ela. Bem diferente da geração “paz e amor” dos anos 60/70 e dos caras pintadas dos anos 80. Para muitos os sonhos acabaram. Para outros eles apenas mudaram de rumo. Para mim estamos presenciando um dos períodos mais individualistas da nossa geração. Um grande abraço, Breno da Mata Editor/Diretor

Breno da Mata

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