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Talvez nós brasileiros sejamos um dos povos mais criativos, corajosos e empreendedores que existe. Diferentemente do que pensam aqueles que nunca saíram do Brasil, não somos aqueles fracassados que deixam a terra natal e se sujeitam a lavar pratos e cortar gramas no exterior. No último fim de semana, aconteceu o Press Award em Fort Lauderdale, Flórida. O evento premia dezenas de pessoas e empresas que atuam no ramo de comunicação, propaganda e publicidade, entretenimento, cultura e assistência comunitária. Mas o que de fato impressiona em eventos como este, que abrange brasileiros espalhados pelos quatro cantos dos Estados Unidos, é a diversidade de negócios comandados por brasileiros. Para cada segmento representado no evento, havia pelo menos cinco empresas diferentes. Somente jornais e revistas existem cerca de 60. Eu posso afirmar, sem medo de cometer algum erro, que a nossa comunidade é uma das que mais se aventura em negócios nos EUA. Mesmo os portugueses, que chegaram muito antes, não conseguem mais nos acompanhar. E engana-se quem pensa que são apenas jardineiros, faxineiras e carpinteiros, que muito nos dignificam. Temos médicos, advogados, músicos, engenheiros, dentistas e executivos de grandes empresas. A maioria fazendo trabalhos de alto nível. Pessoas que antes encontravam dificuldades em sobreviver no Brasil, hoje são grandes empresários ou comerciantes de sucesso. Mas o que faz os brasileiros serem tão agressivos nos negócios e bem sucedidos fora do país? A explicação pode estar escondida na própria dificuldade que estas pessoas encontraram no Brasil para dar vazão ao seu talento e empreendedorismo, que freqüentemente eram abafados pela recessão econômica, instabilidade monetária e concorrência do mercado informal. Pessoas que nunca saíram do próprio Estado onde residiam, se aventuram num país de língua e costumes diferentes, mesmo assim registrando histórias de sucesso. A mulher brasileira, que desempenha um papel secundário no mercado de trabalho brasileiro, encontra igualdade profissional e financeira nos EUA. Muitas bem mais sucedidas que os homens, comprovando a capacidade do que foi erroneamente chamado de “sexo frágil”. Dentro deste contexto, é evidente que hoje a característica de um povo “garimpeiro” está mudando. Não estamos mais à procura apenas de dinheiro. Os valores mudaram, transformando os objetivos imediatistas em estabilidade de longo prazo. Um grande abraço, Breno da Mata Editor/Diretor