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Editorial - Breno da Mata

Editorial: Culpado por antecedência

07/26/2005 04:00:00 PM
Editorial - Breno da Mata

Breno da Mata

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A morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, atingido na cabeça sete vezes e no ombro uma vez, deixa um rastro de revolta e medo tão grande quanto os próprios terroristas, que têm como profissão espalhar o terror por onde andam. As autoridades inglesas dizem que estão arrependidas pelo acontecido, mas mesmo assim não se desculpam. Lendo alguns blogs aqui nos EUA, descobri assustado o quanto muitos americanos acham que o culpado pela morte do brasileiro foi ele próprio. A Inglaterra, que por décadas ficou famosa por sua polícia que não andava armada, agora lembra mais aqueles filmes de faroeste antigo onde o xerife atira primeiro e pergunta depois. Ao defender os policiais, as autoridades disseram que a polícia lida com decisões, que devem ser tomadas em questão de segundos. Este porém não parece ter sido o caso deste mineiro assassinado. Segundo a imprensa européia, ele estava sendo seguido desde a porta da sua casa. Se ele realmente era um suspeito, a polícia deveria tê-lo prendido logo que deixou a sua casa e o interrogado. Teria evitado matar um inocente. Eu não deixo de pensar se a polícia teria agido da mesma forma se a pessoa fosse um loiro de azuis. Provavelmente se eles estivessem vigiando a casa e saísse na porta uma pessoa mais parecida com o David Beckham, os policiais teriam perguntado um para o outro: “espere um pouco, nós estamos vigiando a casa certa?” Agora, depois de tudo, as pessoas “não-brancas” devem ficar longe da Inglaterra, pelo menos enquanto durar a ordem de atirar primeiro antes de fazer perguntas. Mesmo aqui nos EUA, prevalece o estereótipo de que todo negro ou imigrante latino é sempre suspeito de alguma coisa. Em 1999, Amadou Diallo foi morto com 41 tiros pela polícia de Nova York quando ele estava em pé na porta de sua casa. Os policiais que não tiveram nenhuma acusação de erro, disseram pensar que Amadou havia sacado uma arma. Na verdade, ele tinha tirado a sua carteira do bolso. LaTanya Haggerty, uma mulher de 29 anos residente de Chicago, foi morta a tiros no trânsito no mesmo ano. O policial disse que teria visto ela sacar uma arma, o que se viu depois foi um celular na mão da vítima. Em comum nos dois casos está o fato de ambas as vítimas serem negras. De alguma forma, uma carteira, um celular ou uma chave, parecem mais com uma arma na mão de um negro. No caso do brasileiro, uma jaqueta grossa no verão de Londres parece mais com uma bomba quando vestida por um moreno de olhos e cabelos pretos. Um abraço Breno da Mata Editor/Diretor

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