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Editorial - Breno da Mata

Editorial: AS ARMAS, O PODER E O CRIME

10/11/2005 10:00:00 AM
Editorial - Breno da Mata

Breno da Mata

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Abri minha caixa eletrônica como faço todas as manhãs. Dentre as diversas mensagens importantes, sempre vem as conhecidas correntes. Aqueles e-mails que vão passando de pessoa para pessoa. Este dizia respeito ao desarmamento. O título: desarmamento? De quem? O conteúdo do e-mail era uma campanha feita pela ANPCA (Associação Nacional dos Proprietários e Comerciantes de Armas), dando várias razões, inclusive com fatos históricos, de que a campanha de desarmamento do governo era um sinal de que eles pretendem, de fato, estabelecer um golpe de Estado na população que ficaria indefesa por não ter como reagir. Fiquei observando a mensagem por alguns instantes e pensei nos interesses de uma ala poderosa que o governo federal está ameaçando acabar. Tenho minha opinião pessoal sobre o assunto. Creio que não é colocando arma de fogo nas mãos de pessoa comuns que iremos resolver o problema da violência no Brasil. Não estaremos mais seguros tendo uma arma debaixo do travesseiro ou do banco do carro. O bandido, que provavelmente usa arma de fogo desde criança, certamente não hesita em usá-la, mas o cidadão comum, num momento de pressão, pode cometer um erro fatal. Pessoas contra a proibição argumentam que os países mais civilizados do mundo, como os EUA, Canadá, França e Suécia possuem muito mais armas de fogo nas residências do que o Brasil e mesmo assim o índice de mortes é muito menor. Porém, quem tem o privilégio de conhecer outros países, como os citados acima, sabem muito bem a diferença que uma arma de fogo exerce sob violência. O Brasil, infelizmente, vive uma guerra civil não declarada. As pessoas estão sob a constante ameaça de um assalto, um furto, um seqüestro relâmpago. A probabilidade de uma pessoa que possui uma arma de fogo ter a chance de usá-la é muito maior do que em países de primeiro mundo onde o índice de violência é baixo. Além de tudo, argumentar que o governo planeja desarmar a população de olho num golpe de Estado, é tão ridícula quanto absurda. Não vivemos mais nos tempos em que um governo sozinho conduzia atitudes ditatoriais para benefício próprio. Mesmo fragilizada pela situação econômica, vivemos um período de democracia política sem precedentes na história do país. A maior prova foi a eleição de um operário para o posto mais importante da nação. Coisa impensável décadas atrás, onde a elite escolhia a dedo aqueles que seriam os comandantes do nosso país. Não creio que desarmar a população irá resolver o problema da violência no Brasil, mas acredito que poderá, de fato, evitar que pessoas despreparadas sejam mortas por não possuírem preparação, instrução e equilíbrio psicológico para usá-la. Um grande abraço, Breno da Mata Editor/Diretor

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