Breno da Mata Versão para impressão
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Dizem que o brasileiro que vem para os Estados Unidos comete dois erros: o primeiro quando sai do Brasil, o segundo quando volta. A legião de pessoas que acredita nesta frase, cresce na mesma proporção dos que um dia foram e voltaram, com a certeza de que lugar mesmo para se viver são os Estados Unidos. Inexplicavelmente, o coração das pessoas fica dividido entre a saudade dos familiares e o conforto e a segurança da vida num país de primeiro mundo. Cada um tem a sua razão para voltar ou ficar. Porém, de forma generalizada, a facilidade de ganhar a vida está falando sempre mais alto. Aliado a isso, as péssimas notícias do Brasil vão reforçando a decisão de milhões de brasileiros. Mas até que ponto uma vida confortável substitui os laços familiares? Será que aprendemos tão rapidamente com os norte-americanos que o dinheiro está acima de qualquer coisa? Será que sempre fomos capitalistas selvagens mas somente agora tivemos como expressar? É preciso conhecer as razões para julgar as ações. O que parece ser o certo na minha concepção, pode não ser para uma outra pessoa, que se baseia na sua visão, na sua experiência de vida e no que ela espera do futuro. O ser humano tem valores diferentes para as mesmas coisas. Para alguns, viver a vida pode significar ter um carro de luxo, uma linda casa e dinheiro para gastar nos fins-de-semana. Para outros, não há preço que pague a oportunidade de estar junto dos familiares numa ceia de Natal, mesmo que sem dinheiro. Nos dois casos, não há como prejulgar. Não há como impor uma posição. Afinal, quem pode dizer que é dono da verdade? Tudo na vida tem dois lados e ninguém é inocente, diz a sabedoria popular. Temos que respeitar e entender aqueles que sentem vontade de nunca deixar este país. Do mesmo modo que, os que pensam o oposto devem ser respeitados. Quanto ao medo de voltar, às vezes é preciso ter coragem de meter o pé na porta e entrar. Depois vê o que acontece. Ir em busca de um sonho, mesmo que ele represente uma mudança radical em certos aspectos da vida. A mesma força que guiou os passos da vinda, são suficientemente poderosos para iluminar o retorno. É só acreditar. Um grande abraço, Breno da Mata Editor/Diretor