Breno da Mata Versão para impressão
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O receio de uma quebradeira geral na Europa volta a acontecer. A bola da vez é a Irlanda, antes apelidada de Tigre Celta pelo seu excepcional crescimento iniciado na década de 90, hoje vive a sua pior crise das últimas décadas.
Na última semana, o tigre virou gatinho e miando teve que aceitar dinheiro do FMI, da Alemanha e da Inglaterra para não ir de vez para o buraco.
Depois da quebra da Grécia, ano passado, a Irlanda vê as suas finanças virarem pó mediante a crise que se iniciou, adivinhem onde, no setor imobiliário.
Assim como aconteceu nos Estados Unidos, os bancos irlandeses foram os grandes vilões da crise. Emprestaram dinheiro sem o menor critério e agora tiveram que ser resgatados pelo governo para não fecharem as portas.
Parte da comunidade brasileira da Irlanda, estimada em 20 mil pessoas, já começa a fazer as malas de volta. Grande parte das pessoas trabalhava diretamente no setor de construção, o mais atingido pela crise. Trabalhadores de outros setores também não conseguem mais serviço.
A semelhança com o fenômeno que atinge os brasileiros que moram nos EUA é evidente. Mesmo estando na Europa, muitos se deram conta que a volta ao Brasil é a melhor opção.
Se o ocorrido fosse há 10 ou 15 anos, provavelmente poucos se arriscariam a fazer o caminho inverso. Acabariam em algum outro país vizinho.
Mas a crise no Brasil não é financeira e nem de desemprego, mas de falta de mão de obra especializada. As oportunidades são muitas e as chances de viver com dignidade na terra natal são maiores que tempos passados.
Aqueles que não voltam têm lá seus motivos. São pessoas que já fincaram raízes muito profundas e que tem poucos laços familiares no Brasil. São também aqueles que, mesmo passando uma fase ruim, pensam que ainda é melhor viver em um país da Europa quebrado do que no Brasil financeiramente saudável.
Mas eles hoje são a exceção.
Segundo estimativas do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, metade dos brasileiros já retornaram para casa. A cidade de Gort, conhecida como “pequeno Brasil”, foi a mais afetada pela crise.
Depois da Irlanda, os brasileiros que moram em Portugal e Espanha precisam colocar a barba de molho. Especialistas preveem que eles serão a peça da vez no dominó da quebradeira européia.
Um abraço,