Breno da Mata Versão para impressão
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Parado no trânsito, o policial pede a carteira de motorista. Ele não tem. No lugar apresentou uma identidade estrangeira. Não teve conversa, foi parar no xilindró.
A história, que aconteceu no Alabama, parece comum principalmente após a aprovação da polêmica lei anti-imigrante, que exige que pessoas pegas sem identificação tenham a sua situação no país verificada.
O que torna o caso incomum foi o fato do governador do estado, Robert Bentley, que assinou a lei, ter ligado pessoalmente para o diretor da Imigração a fim de saber detalhes do caso.
Mas o que levaria o governador a tomar tal atitude? Dezenas de pessoas são presas todos os meses sem merecer a mesma atenção do político número um do estado.
De acordo com o jornal Washington Post, a resposta está na própria pessoa detida. Trata-se de um executivo da famosa montadora de carros Mercedez-Benz, que saiu da Alemanha para uma viagem de negócios na matriz dos Estados Unidos.
A empresa instalou sua primeira unidade fora da Alemanha na cidade de Tuscaloosa, no Alabama, em 1993, criando milhares de empregos e abrindo caminho para que outras montadoras seguissem seu caminho, entre elas Honda, Toyota e Hyundai.
O executivo conseguiu, através de um amigo que buscou sua carteira de motorista no hotel, ser liberado.
Novamente entra em cena neste país a força do poder capitalista. Um mero mortal de algum país da América Latina, além de não ter o privilégio de ter o governador interferindo a seu favor, provavelmente estaria na fila da deportação a esta altura.
O Alabama tem sido, há séculos, palco central de um estado racista, segregador e intolerante contra as minorias.
As pessoas são tratadas conforme os próprios interesses, chegando inclusive na questão imigratória. Isso mostra aos críticos de outras nações, como igualmente frágil e falho também são os Estados Unidos.
Aplicar dois pesos e duas medidas mostra que o congresso precisa urgentemente deixar de lado suas diferenças e trabalhar em uma reforma imigratória que leve justiça para todos aqueles que trabalham honestamente neste país.
Não apenas aos executivos europeus de grandes empresas.
Um abraço,