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Editorial - Breno da Mata

Divisor de águas

09/07/2011 09:41:51 AM
Editorial - Breno da Mata

Breno da Mata

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Neste próximo domingo, 11, os Estados Unidos relembrarão os 10 anos dos ataques terroristas em Nova Iorque que deixaram quase 3 mil mortos.

As consequências dos ataques são sentidas até hoje em muitos aspectos da vida deste país, tanto para os norte-americanos como para os imigrantes. De uma forma ou de outra, até mesmo aquelas crianças que eram muito novas para entender o que se passava, também foram afetadas em uma nação pós 11 de setembro.

Especialistas no assunto são unânimes em afirmar que a exposição ao assunto pelas redes de televisão, a cultura do medo constante criado pelo governo do presidente Bush e as guerras que sucederam aos ataques, afetaram as atitudes destes jovens, política e socialmente.

Em um fato que chamou a atenção dos jornais na época, uma criança perguntava ao pai se aqueles homens eram terroristas, apontando para um presépio. As atitudes dos adultos ao tratar do problema foram majoritariamente negativas. Pouca atenção foi dada, por exemplo, à solução dos conflitos via mediação.

O governo do ex-presidente republicano, usou os ataques como pretexto para praticar toda sorte de irregularidades. O medo, plantado de forma sistemática na imprensa, concedia o aval que a administração Bush precisava para invadir o Iraque e colocar suas tropas no Afeganistão.

A liberdade e privacidade dos cidadãos também passaram a estar sujeitas à vontade do governo. Viajar de avião já não era mais tão prazeroso como costumava ser antes de 11 de setembro. A alegria deu lugar a frustração das filas intermináveis nos pontos de checagem e aos constrangimentos das inspeções. Para nós, imigrantes, os ataques representaram mais do que o medo de novos atentados. Representou a perda da liberdade e a caça às bruxas levada adiante pelos conservadores, que viam em todo imigrante um terrorista em potencial.

As leis imigratórias entraram em um novo capítulo de sua história. A prioridade passou de processar os casos de legalização para tornar o processo cada vez mais difícil e dispendioso. Foi também neste período que os Estados Unidos observaram uma de suas maiores ondas de imigração ilegal vinda do Brasil. Ao fechar as portas para a entrada legal - e com a crise econômica que o Brasil vivia - a saída para muitos era atravessar ilegalmente a fronteira via México.

10 anos depois, pouca coisa mudou. Os imigrantes ainda esperam por uma legalização que nunca chega. O país continua em guerra, com o agravante que agora estamos no meio de uma das piores crises econômicas desde a década de 1920.

Mesmo que não tenhamos parentes ou amigos entre os mortos nas torres gêmeas, ainda assim há muito o que chorar.

Um abraço,

Breno da Mata

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