Breno da Mata Versão para impressão
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Em muitas situações, para melhorar, as coisas precisam piorar. O pensamento faz sentido quando revemos acontecimentos passados, onde uma determinada situação piorou tanto que provou mudanças históricas.
Isso é o que vem acontecendo com os consulados brasileiros nos EUA. Dentro de um período de apenas um mês, os consulados de Nova Iorque e Boston envolveram-se em um fogo cruzado, devido aos problemas que há muitos anos vêm incomodando a comunidade brasileira. O atendimento consular. Esta é a reclamação mais comum que se escuta. Mas não a única.
Em Boston, o consulado recebeu, no final de janeiro, uma carta do núcleo do PT local solicitando explicação quanto a denúncias veiculadas em um jornal, sobre a demora para se marcar um atendimento para emissão de passaporte. Nesta repartição, o tempo gira em torno de três meses.
Em Connecticut, a revolta de uma brasileira, que diz ter sido debochada ao telefone por um funcionário (que recusou se identificar), a levou a escrever diretamente ao cônsul geral e a dar início em um abaixo-assinado contra o consulado.
Em Boston, as denúncias me parecem mais graves e constantes do que em qualquer outra repartição. Os problemas de atendimento e estrutura decadente contrastam com o enorme volume de dinheiro deixado pelos milhares de brasileiros que usam os serviços diariamente. A meu ver, não procede a justificativa do cônsul de que todos os problemas decorrem do elevado número de pessoas que buscam os serviços. O governo brasileiro deveria adequar a estrutura para acomodar de forma eficiente a demanda.
Mas não vamos deixar uma marca indelével nos servidores públicos. Nem todos agem da mesma forma. Aliás, em muitos casos, é a falta de educação de determinados brasileiros que dão início aos problemas.
Antes de reclamar, certifique-se de que você está tratando o funcionário com o mesmo respeito que gostaria de ser tratado.
A nossa comunidade é formada, em sua maioria, por pessoas simples e, não raramente, de pouco estudo. Os funcionários deveriam, antes de tudo, compreender que coisas simples e corriqueiras podem ser de difícil compreensão da maioria. Um pouco de boa vontade no momento do atendimento pode evitar grandes transtornos.
Enquanto isso não ocorre, as reclamações começam a ganhar proporções alarmantes e, cedo ou tarde, nossos diplomatas poderão se encontrar em meio a uma verdadeira revolução.
Um abraço,