Breno da Mata Versão para impressão
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Um email enviado para a minha caixa postal, na última semana, denunciava comentários feitos pelo correspondente do jornal O Globo em Washington D.C., o jornalista Gilberto Scofield.
O remetente do email, o qual eu não conheço, se dizia chocado com os comentários no post do blog intitulado “Duas ou três coisas sobre os amantes brasileiros do Império”, onde ele defende a ideia de que muitos brasileiros, que se estabeleceram aqui e, dentro dos seus critérios, se dizem bem-sucedidos, comumente passam a criticar tudo e todos no Brasil. “Sabe aquela pessoa que conseguiu se dar bem em outro país e, imediatamente, passa a achar o Brasil uma roça, os brasileiros um bando de gente ignorante e tudo relacionado ao Brasil um lixo? Pois é. São os amantes do Império”, escreveu o autor do texto.
Dizem que coração é terra que ninguém pisa, mas talvez a razão pelo email enfurecido que recebi tenha origem numa verdade que muitos não gostam de escutar. Existe sim, milhares de brasileiros que se encaixam neste perfil.
Note que não é uma questão de disputa sobre qual país é melhor. Todos, sem exceção, possuem suas vantagens e desvantagens. O ponto central do debate são as atitudes destes brasileiros, que como num passe de mágica, ao se mudarem do Brasil, passam a agir como se lá nunca tivessem vivido e que a única notícia que recebem é sobre violência, corrupção e miséria.
Esta atitude é frequentemente observada em pessoas que saíram de condições de relativa pobreza no Brasil, mas que, graças a uma forte economia que encobria a incompetência deles, tem acesso a bons salários, a eletrônicos e carros de luxo.
Este “novo-rico”, como se refere o jornalista do O Globo, muitas vezes até faz parte do seu ciclo de conhecidos, mas prefere conviver apenas com nativos, falar inglês mesmo quando o interlocutor é brasileiro e não perde uma oportunidade de criticar o presidente de um país da América Latina, que ele chama de “barbudo”. Porém, do dirigente que deixou o país com a pior crise financeira dos últimos 70 anos, faz-se um silêncio incompreensível.
Falta bom censo e equilíbrio para criticar o que precisa ser criticado e elogio para o que merece ser elogiado, seja o Brasil ou qualquer outro país do mundo.
Um abraço,