Breno da Mata Versão para impressão
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Todos os anos é a mesma história. Pessoas dormindo nas filas das lojas na esperança de comprar toda sorte de parafernália com preços abaixo da tabela. O Black Friday marca o início da temporada de compras de final de ano da forma mais extravagante possível.
Mas este ano, o desejo de muitos em vencer a multidão de pessoas, foi longe demais. Em uma loja do Walmart em Los Angeles, na Califórnia, uma mulher usou spray de pimenta na tentativa de aumentar suas chances em conseguir o eletrônico que almejava. Cerca de 20 pessoas tiveram que receber atendimento médico.
Em outra loja de departamentos, uma pessoa levou um tiro e teve suas compras roubadas quando entrava no carro parado no estacionamento.
Em outro caso, ainda mais grave, um homem de 61 anos passou mal dentro de uma loja da rede Target. Caído no chão, ninguém deixou a pressa em comprar as barganhas para socorrê-lo. Ele morreu mais tarde no hospital.
A insanidade em conseguir suprir suas necessidades consumistas, está cegando muita gente. Perde-se a noção do bom senso e faz sacrifícios que, por outra razão mais nobre, nem passaria pela cabeça.
São poucos os que acordam de madrugada para ajudar, no abrigo da cidade, aqueles que estão necessitando do básico na vida. Também são poucos os que dedicam algumas horas da semana para ir à igreja, culto ou templo.
Quem dedica 1 hora na semana para visitar os idosos em um asilo? Poucos.
Mas quando o assunto é comprar objetos que, muito bem poderíamos viver sem, não existe limites. Não há sacrifício que não se justifique. Não basta ter um aparelho celular, é preciso ter o melhor. O carro de dois anos de uso já não serve mais. As roupas, que são feitas para proteger nosso corpo das intempéries do tempo, não podem ser qualquer uma. Precisa ser “daquela marca famosa”.
Os brasileiros querem viver um conto de fadas da qual foram supostamente negados no Brasil. Não basta ter sua casa para morar, seu carro para se locomover, sua roupa para vestir. É preciso mais do que isso. É preciso ostentar um padrão de vida que não condiz com a realidade. É preciso ser chique e esnobe.
Por que não se cria a Sexta-Feira Branca, onde todos dedicariam um dia de sua vida para ajudar os mais necessitados?
Talvez isso criasse nas pessoas o hábito de dedicar apenas um pouco de sua vida ao próximo. Talvez, apenas talvez, poderíamos fazer o Natal de muitas pessoas um pouco mais alegre.
Um abraço,