Breno da Mata Versão para impressão
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A internet e a subseqüente popularização no mundo após a queda nos preços dos computadores, talvez tenha sido uma das melhores coisas que aconteceu a partir do início da década de 90.
Hoje, quase todas as casas, escolas e bibliotecas possuem um computador ligado à rede mundial, possibilitando o acesso à pesquisa, notícias e diversão.
Mas com ela, também assistimos a uma verdadeira enxurrada de coisas inúteis.
Uma das mais irritantes são as correntes de emails que prometem saúde e fortuna para aqueles que encaminharem o email para todos da sua lista.
Se tudo isso de fato funcionasse, o mundo hoje já era para ser um lugar diferente.
A disseminação de informações falsas e a tentativa de manipulação da opinião das pessoas através do uso de textos no qual o autor é sempre um conhecido e respeitado jornalista ou comentarista de televisão, também é uma das pragas da era digital.
Noventa por cento das pessoas tendem a acreditar em tudo que chega na sua caixa postal.
Poucos se dão ao trabalho de pesquisar a origem do texto e sua autenticidade.
Há cerca de três semanas eu recebi um email com um texto atribuído a Luiz Nassif, um dos mais respeitados jornalistas no Brasil.
Por ser um admirador do jornalista, logo vi que o texto não poderia ser dele.
Uma rápida pesquisa na internet comprovaria mais tarde a minha suspeita.
O próprio Nassif desmentiu que era dele a autoria.
Outro email que circula na internet dá crédito a Arnaldo Jabor.
Apesar de não ser um apreciador do estilo do colunista, acreditar na fraude e ir repassando para todos sem ter a mínima idéia da sua veracidade, é um dos grandes erros que os internautas de hoje cometem.
Arrisco dizer que o motivo é a afinidade com o conteúdo dos emails. Tanto o texto atribuído a Nassif como o de Jabor, tentam a todo custo denegrir a imagem do Brasil, do governo e do próprio brasileiro, colocando todos num mesmo patamar de corrupção, deslealdade e revolta.
Vejam por exemplo esse trecho do texto que alegam ser de Jabor:
“Pagar 40% de sua renda em tributos e ainda dar esmola para pobre na rua ao invés de cobrar do governo uma solução para pobreza.”
Tem uma frase do filósofo Sócrates que diz: é melhor sofrer a injustiça do que praticar a injustiça.
Se vivêssemos num sistema perfeito em que a mendicância decorresse exclusivamente da vagabundagem, as esmolas seriam apenas um incentivo à vagabundagem.
Não penso que este seja o caso do Brasil.
Parece fácil e cômodo para muitas pessoas simplesmente acreditar em um texto, somente pelo fato dele ter sido escrito por um formador de opinião. Se ele pensa assim é porque está certo, muitos imaginam.
Falta um senso crítico nas pessoas. Falta ter a coragem de contestar aquilo que está errado, mesmo quando parecer certo para a maioria.
Um abraço,