Breno da Mata Versão para impressão
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De janeiro a maio deste ano, trabalhadores imigrantes enviam US$ 322,7 milhões para seus países de origem. Qual é a novidade? A novidade é que este montante saiu do Brasil para outros países.
Dados do Ministério do Trabalho mostram que em 2006 foram autorizados 25,4 mil estrangeiros a trabalharem no país. No ano passado, foram 42,9 mil - um aumento de 68,8%.
Com a crescente melhora da economia brasileira (estima-se um crescimento de 7% ao ano) e com a crise econômia nos Estados Unidos, Japão e Europa, as remessas de dinheiro vêm sofrendo uma inversão.
Quando comparados os cinco primeiros meses deste ano com igual período de 2009, o envio de recursos de trabalhadores para o Brasil encolheu US$ 22 milhões.
Entre outubro de 2008 a março deste ano, cerca de 80 mil trabalhadores dekasseguis deixaram o Japão fazendo o caminho inverso. Nos Estados Unidos não há números oficiais, mas sabe-se que milhares de pessoas também regressaram para casa.
A cada notícia sobre imigração, muitas pessoas renovam ou desistem completamente do sonho de continuar no país. As leis anti-imigrantes que se multiplicam como praga em todos os estados, a exemplo do Arizona, contribuem enormemente para um novo êxodo. Por outro lado, a notícia de que a Casa Branca esteja estudando conceder anistia sem passar pelo Congresso, leva esperanças àqueles que já não a tinham mais.
Na América do Sul, países como Bolívia, Colômbia e Peru já veem o Brasil como rota preferencial da imigração legal e ilegal. Hoje existem algo em torno de 900 mil estrangeiros trabalhando no Brasil. No ano passado, o presidente Lula concedeu anistia a todos os imigrantes indocumentados, dando um exemplo ao mundo quanto ao tratamento aos que buscam uma vida digna fora do lugar onde nasceram.
Por aqui, a retórica continua a mesma. O discurso de Obama, apesar de correto e realista, não trouxe nenhuma novidade e nem estabeleceu um prazo para que a reforma acontecesse. Muitos viram como uma resposta política à população latina, que o apoiou na eleição na esperança de uma mudança real.
Um ano e meio depois da posse, a mudança não veio e poucos acreditam que aconteça a curto prazo.
Enquanto isso, o Brasil recebe, abriga, dá emprego e alimenta os filhos de outras terras.
É a ironia da imigração.
Um abraço,