Breno da Mata Versão para impressão
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Nós, brasileiros, somos mesmo um povo extraordinário. Contraditório por natureza, conseguimos rir e chorar ao mesmo tempo.
Reclamamos de nossos políticos e praticamos a corrupção de nossa forma particular no dia a dia. Fazemos campanhas de revolta contra uma mulher que matou o próprio cachorro e ignoramos as dezenas de crianças que morrem nas ruas dos grandes centros todos os anos, muitas vítimas da fome e da violência.
Perdemos horas e horas na frente dos computadores e telefones repassando email e posts, geralmente inúteis, e criticamos os BBB’s por serem irrelevantes e sem cultura.
Atacamos as pessoas honestas e bem-sucedidas pelo seu padrão de vida e deixamos de ir para uma sala de aula para obter uma graduação que poderá mudar a nossa vida.
Achamos que o governo nos impõe pesadas cargas tributárias e queremos passar fevereiro sem ouvir a palavra trabalho ou escola. Apenas uma é permitida. Carnaval.
Dizemos que somos cristãos não praticantes, passando o ano inteiro sem rezar, mas no primeiro problema grave que enfrentamos, corremos para os pés do altar.
Não damos exemplo, mas somos os primeiros a cobrar coerência nos outros. A tão falada atitude antiética que apontamos em nossos políticos, faz parte do nosso cotidiano em todas as esferas da sociedade.
Protestamos contra supostos estupros em programas de reallity show e rimos de comerciais de TV que transforma gente anônima em celebridade da noite para o dia.
Mesmo assim, conseguimos transformar uma economia em frangalhos na sexta maior do mundo em pouco mais de uma década.
Toda esta contradição também revela um lado positivo. Somos um povo criativo, que faz da desvantagem o seu aliado.
Dizem que o Brasil é o país da piada pronta. Se é, eu não vejo graça nenhuma. Talvez o dia em que nós pararmos de achar graça naquilo que não tem graça e levar a sério o que precisa de ser levado a sério, teremos mais chances de um futuro menos contraditório que temos hoje.
O filósofo brasileiro Mário Sérgio Cortella define assim a ética: “Ética é a concepção dos princípios que eu escolho. Moral é a sua prática.
E você, já se perguntou como tem sido a sua prática ultimamente?
Um abraço,