Breno da Mata Versão para impressão
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O avanço tecnológico que vivenciamos tem mudado nossa rotina. Muitas vezes para melhor, mas também negativamente, em outros aspectos.
As redes sociais, que tanto fascinam as pessoas, estão
criando um geração de preguiçosas, talvez podendo ser chamada de geração “voyeur”, graças ao Orkut, Twitter, Facebook, e o recém lançado Google+ entre outros.
Na lista de relacionamento estão centenas de pessoas que nunca conhecemos pessoalmente, mesmo assim chamamos de “amigos”. Comenta-se notícias apenas pelo título, sem no entanto ter o trabalho de analisá-las para expressar uma opinião fundamentada. Não, basta postá-las e pronto.
Os reality-show, que tanto fazem sucesso nas TV’s a cabo, saem da telinha e nós passamos a ser os protagonistas. Todos sabem a que horas você acordou, o que tomou no café da manhã, o motivo da sua tristeza e, principalmente, da sua alegria - já que todos preferem passar a imagem de felicidade, sempre que possível.
No passado, as pessoas relembravam onde estiveram nos momentos históricos no qual os eventos aconteceram, como no discurso das Diretas, na morte de Tancredo Neves ou no impeachment de Collor.
Em breve iremos relembrar o que foi postado no Tweeter, Facebook ou o que se leu nas redes sociais sobre eventos históricos.
Será que Collor teria deixado o governo sob o protesto dos Cara Pintadas - como ficou conhecido os milhões de jovens que saíram às ruas com os rostos pintados, em protesto à permanência do presidente no cargo - se o fato acontecesse hoje? Será que um monte de posts e tweets seriam o suficiente para mudar o rumo de uma nação? Que legado essa geração deixará para seus filhos e netos?
A década de 60 foi marcada pelas pessoas que saíam às ruas para brigar, matar e morrer por uma causa que acreditavam. Não eram apenas pessoas observando os fatos de longe e fazendo comentários sem efeito ou, na melhor das hipóteses, assinando um protesto digital. Nós iremos precisar muito mais do que isso para causar alguma mudança significativa.
O exemplo do mundo árabe pode servir de lição. Os manifestantes usaram as redes sociais para divulgar sua causa, mas não se limitaram a postar alguma mensagem no “wall” do amigo. Eles foram para as ruas, arriscando suas vidas por uma mudança.
Não quero dizer que devemos deixar de usar as redes sociais. Sou o primeiro a admitir que é divertido e que também sou culpado de estar criando esta nova geração. Porém, isso não me deixa menos preocupado com o caminho que está sendo seguido. O uso sensato, divertido às vezes, não pode tomar o lugar da ação, do contato cara a cara, da ligação telefônica quando possível.
Hoje a geração mais jovem prefere enviar uma mensagem de texto, ao invés de ligar para quem se deseja falar. Isso é perigoso. As relações entre as pessoas estão ficando cada dia mais distantes e frias. Uma contradição com a própria tecnologia, que deveria ter feito justamente o oposto.