Breno da Mata Versão para impressão
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2011 começa com a esperança de apagar da memória o difícil ano de 2010. Não deixará saudades, assim como 2008 e 2009 não deixaram.
A crise econômica, que se iniciou em 2007, e que muitos previam na época que não duraria muito, tem feito de refém milhões de pessoas.
Todos vivem momentos de dificuldades. Também, não poderia ser diferente. Desemprego em alta, vendas em baixa e a incerteza de saber quando de fato a crise cederá lugar ao crescimento econômico. O ano, para muitos, foi de sobrevivência.
Para os que não conseguiram se agarrar em uma boia salva-vidas, a única solução restante foi regressar ao Brasil. Nosso país tem recebido todos de braços abertos, dando chances a todos aqueles que queiram trabalhar honestamente. Para os imigrantes, a crise tem duas faces feias. Além da econômica, a esperança em uma eventual e necessária reforma imigratória, parece não existir.
Agora que o Senado deu o tiro de misericórdia no Dream Act – lei, que colocaria no caminho da legalização milhões de jovens que entraram no país ainda crianças - pouco se pode esperar nos próximos dois anos de um congresso dominado por conservadores e um Senado com mais republicanos em comparação ao anterior. Barack Obama declarou que não desistirá de lutar pelo Dream Act. Balela. Tanto ele
como todos nós sabemos que o país está dominado por direitistas barulhentos. O máximo que ele poderá fazer é vetar leis que restrinjam ainda mais a imigração.
Na prática, isso nada mudará a vida das pessoas, que sonham com o direito de viver com dignidade neste país. Nem mesmo alguns dos senadores do seu próprio partido estão ao seu lado.
A derrota no senado teve a participação de cinco senadores democratas. Na onda do arroxo imigratório, pipocam por todos os estados leis semelhantes à do Arizona. Pelo menos cinco estados já preparam a introdução de legislação, que exige que a polícia verifique o estatus imigratório de pessoas suspeitas de estarem no país sem a devida documentação.
Guerras, ganância dos banqueiros de Wall Street, consumo excessivo da população. Nada disso pagará o preço de ter jogado o país neste buraco.
Faz-se de tudo para punir uma parcela da população que nada tem a ver com a crise em que vivemos. Mas o bode expiatório já foi nomeado. Somente a história irá, tardiamente, mostrar que o ciclo se repete e que os mesmos inocentes foram novamente queimados na fogueira da injustiça.
Um abraço.