Breno da Mata Versão para impressão
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Para não deixar de comprovar a minha teoria, explicada aqui há algumas semanas, as segundas-feiras são mesmo para más notícias.
Todo o mundo esperava que a aprovação do pacote de 700 bilhões de dólares fosse acalmar o mercado, trazer de volta a confiança dos investidores e, por conseguinte, dar o alívio depois de semanas de pressão e baixas nas bolsas de todo o mundo. Nada disso.
Hoje (segunda-feira, 6) as bolsas de todos os países sofreram violenta baixa.
O Brasil, que até então se mostrava menos vulnerável às tempestades de Wall Street, também não suportou e veio abaixo. O dólar bateu na casa dos R$2.20, com um aumento de 7,53%, o maior em um único dia desde 1999.
O governo brasileiro já fala em ajudar as empresas de exportação, que temem não poder manter os compromissos diante do aumento da moeda norte-americana.
Quem ainda não começou a se preocupar com a situação econômica dos Estados Unidos, agora já enxerga o quão grave é a crise.
Menos de um mês das eleições presidenciais, muitos estão apostando todas as fichas na eleição de Barack Obama, que parece ter mais predisposição e proposta para uma mudança nos rumos do país.
Mesmo entre os economistas, Obama é tido como o mais indicado à mudança e com o melhor plano econômico. Pelo menos é o que informou nesta semana a revista The Economist.
Numa pesquisa feita entre os economistas da National Bereau of Economic Research, 142 economistas responderam a uma séria de perguntas sobre quem teria o melhor plano econômico. 71% apontaram Obama.
Porém o próximo presidente, seja ele quem for, encontrará pela frente um país com sérias dificuldades financeiras, iniciada pelo escândalo do subprime.
Este que, ao contrário que alguns podem imaginar, nada tem a ver com os imigrantes.
Pesquisas mostram que o percentual de foreclosures no país é menor entre os imigrantes.
A razão disso pode estar no fato de que o imigrante luta mais pelos seus sonhos, uma vez que ele deixou para trás um país onde as chances de adquirir a casa própria eram remotas.
Outro fator tem a ver com a predisposição do imigrante em trabalhar mais horas para manter os compromissos, como o pagamento do mortgage por exemplo.
A culpa, na verdade, reside nos bancos que criaram uma situação na qual eles próprios sabiam que não tinha como se sustentar por muito tempo. Na ganância do alto lucro a curto prazo, foram afrouxando as regras e exigências para os empréstimos hipotecários.
Com algumas exceções, a maioria dos americanos e imigrantes foram mais vítimas do que vilões, alimentando um sonho em cima de um castelo de areia.
Afinal, quando não se consegue mais pagar o financiamento, o banco recebe de volta o imóvel.
E você, o que recebe?
Um abraço.