Breno da Mata Versão para impressão
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Na última semana o ator e diretor Miguel Falabella soltou essa pérola durante uma entrevista ao jornal Folha Online: “o nível mental das pessoas que assistem tevê no Brasil está por volta de 9 anos de idade”.
À primeira vista, um leitor despercebido poderia pensar que Falabella estaria tentando ofender os brasileiros, os mesmos que o fizeram uma pessoa rica. Entretanto, o ator acerta num ponto crucial: o Brasil tem hoje (sempre) um telespectador ameba.
Não que seja uma exclusividade brasileira. Claro que não é. Aqui, nos Estados Unidos, também observamos quão desmiolados são algumas pessoas, ou milhões de pessoas. Os “reality Shows” que infestam as TVs como ratos em esgoto não deixam dúvida disso.
Mas a grande diferença, corretamente apontada por Falabella, reside no grau de aprendizado que outra parcela igualmente grande da população de outros países adquire através da leitura.
Se traçarmos um comparativo com nações como Alemanha, França e Estados Unidos, o brasileiro simplesmente não possui o hábito da leitura. E vamos deixar de fora o fato de ler na internet as últimas notícias da rodada do futebol ou o próximo capítulo da novela das oito. Estamos falando de leitura de qualidade.
Experimente entrar em uma livraria ou biblioteca pública de um país do chamado Primeiro Mundo. De crianças a idosos, todos apreciam um bom livro. Mesmo aqueles “de letras pequenas e sem figuras”.
Existe um paradoxo na atitude do ator Global em criticar os brasileiros, uma vez que o próprio contribui para a alienação dos telespectadores com os programas e novelas produzidos por ele.
A Rede Globo, emissora que emprega Falabella com salário milionário, dá a sua enorme parcela de contribuição. Basta ver que os poucos programas educativos existentes na grade de programação são exibidos às 5 da manhã, enquanto o horário nobre fica reservado para a novela e a idiotice do Big Brother.
Bill Gates, um dos homens mais ricos do mundo e que contribuiu como ninguém para a informatização do mundo onde vivemos, disse a seguinte frase: “Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história”.
Um abraço,