Breno da Mata Versão para impressão
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Por mais surreal que pareça, a proposta de mudar a 14th Emenda da Constituição norte-americana, vem ganhando espaço na imprensa. Um grupo de senadores quer impedir que filhos de imigrantes indocumentados nascidos no país recebam a cidadania norte-americana.
A idéia não é nova. Porém, com a aproximação das eleições de outubro para senadores e governadores, os republicanos passaram a levantar a bandeira na esperança de agradar os conservadores.
O que mais intriga as mentes mais sensatas é o fato da proposta não ter a mínima chance de sucesso. Algumas perguntas colocariam em escanteio tal iniciativa. Senão vejamos:
O que caracterizaria o fato de um recém-nascido ser elegível para obter a certidão de nascimento? Seria ter a mãe indocumentada? O pai? Os dois? Se for apenas um deles, como um hospital diria a um pai (ou mãe) cidadão norte-americano que o filho que acabou de nascer não poderá receber a certidão de nascimento? E que certidão ele receberia se nasceu em território norte-americano?
Estima-se que todos os anos acontecem cerca de 4.25 milhões de partos no país. Como os hospitais lidariam com isso? Teriam eles que requerer prova de cidadania dos pais? E depois do parto, teria o hospital que chamar a Imigração para deportar o bebê?
O absurdo da proposta reside no fato de que eles não estão preocupados em responder nenhuma destas perguntas. O pilar está na simples idéia de mostrar para o eleitorado que o candidato é duro com a imigração ilegal. Tudo não passa de um jogo eleitoreiro de quem não está preocupado com as reais questões que afligem o país.
Na última semana, alguns políticos foram ainda além na tentativa de fazer a proposta ter sentido. Para o Republicano Louie Gohmert, do Texas, mulheres do Oriente Médio estariam vindo para os EUA para ter crianças que seriam levadas de volta e, durante o curso de 20 anos, serem treinadas como terroristas, e que voltariam para “explodir” o país. Não existe uma única evidência que sustente tais afirmações.
O partido republicano está perdendo completamente a noção da realidade. Joga-se com o medo e a xenofobia das pessoas para seus próprios ganhos eleitorais.
Cada dia que passa, me convenço que política não é diferente em lugar nenhum do planeta. Mesmo em países ditos de primeiro mundo, como os EUA.
A mentira que permeia campanhas políticas também fala inglês.
Um abraço,