Breno da Mata Versão para impressão
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Foi durante um churrasco de domingo que este amigo, que há algum tempo não via, disse o que dificilmente escutamos aqui: “O brasileiro reclama muito dos Estados Unidos. O problema é que as pessoas não sabem apreciar o que é bom”.
Fiquei refletindo por alguns segundos o que ele dizia e me lembrei de um editorial que havia escrito há cerca de sete anos sobre como muitos brasileiros desperdiçam uma das grandes oportunidades da vida ao se estabelecer em outro país.
O crescimento individual, que a exposição a uma cultura diferente proporciona, pode valer mais do que muitos part-times e “mortaimes” que vão aparecendo pelo caminho.
Ascensão social não se resume ao aumento da conta bancária. Ascender na vida significa a mudança para um estágio onde crescemos intelectualmente, nos dando condições para os novos desafios que a vida impõe.
Ao subir na pirâmide social, passamos também a servir de modelo para um número maior de pessoas, aumentando conseqüentemente nossas responsabilidades.
O caso Ronaldo, pego num motel com três travestis, exemplifica bem essa situação.
Admirado por adultos, idolatrado por crianças, Ronaldo passou de herói a motivo de piada.
No Brasil, onde a sociedade já se acostumou com a corrupção das elites, os ricos e famosos, como Ronaldo, usufruem dos benefícios do dinheiro, mas dão costas às responsabilidades.
Em sociedades mais evoluídas, o episódio teria sido suficiente para encerrar de vez muitos dos milionários contratos que ligam a sua imagem a toda sorte de produtos.
Será que é este o futuro que muitos brasileiros vislumbram ao passar anos, décadas de suas vidas dedicadas a um único objetivo: ganhar dinheiro e voltar para o Brasil com a pretensão de fazer parte de uma nova camada social?
No meio deste caminho, as oportunidades para um crescimento cultural vão sendo ignoradas, correndo o risco de um dia se ver rodeado de travestis que só querem uma coisa: o seu dinheiro.
Um grande abraço,