Breno da Mata Versão para impressão
Enviar para um amigo
|
A temida lei imigratória do Arizona tem causado mais protestos que se imaginava. A reação popular contra a medida tomou proporções gigantescas, com passeatas em todo o país e milhares de pessoas pedindo o seu cancelamento.
Se por um lado observamos a insensatez dos legisladores do Arizona numa medida considerada de cunho racista, por outro o país viu reações contrárias até de onde nunca se esperava.
Políticos com histórico de perseguição aos imigrantes se manifestaram contra, como foi o caso do ex-senador Tom Tancredo. Outros, menos radicais, mas igualmente conservadores, como o ex-governador da Flórida Jeb Bush, disse que a lei não é a melhor forma de encarar o problema.
Nem todos, que vivem de garantir que as leis do estado sejam cumpridas, estão a favor. O delegado do condado de Pima, no Arizona, Clarence Dupnik, disse que não irá obedecer a nova lei, porque ela é “nojenta” e “desnecessária”. Dupnik ainda disse que os seus policiais não irão participar nas batidas porque ela os forçaria a se basear na raça durante suas patrulhas.
O maior argumento das pessoas que apoiam a lei é o crime que os imigrantes indocumentados trazem para o Arizona. Entretanto, uma reportagem da CNN mostrou que os números contrariam estes argumentos.
Dados do Departamento de Imigração e do FBI mostram que o número de crimes violentos diminuiu nos últimos sete anos. De acordo com as estatísticas do FBI, os crimes violentos diminuíram em 1.500 entre 2005 e 2008. Crimes contra residências caíram de 287.000 para 279.000 no mesmo período.
Considerando que a população do Arizona aumentou em 600.000, a queda é ainda mais significativa.
O Instituto de Política Imigratória disse que os autores da lei falharam em observar que os crimes no estado vêm caindo sistematicamente ao longo dos anos, a despeito da presença dos imigrantes indocumentados e que uma pesquisa mostra que os imigrantes são menos propensos a cometer crimes do que os norte-americanos.
Talvez a única forma do Arizona desistir da polêmica ação é sofrendo um grande boicote, como em 1987, quando o estado se recusou a comemorar o feriado do Martin Luther King. O poderoso Futebol Americano foi cancelado por cinco anos, causando um prejuízo milionário aos cofres públicos.
Obama também tem a obrigação, enquanto líder, (principalmente sendo um afro-americano), de fazer mais do que se pronunciar contra a lei racista. Ele tem o dever de ir às últimas consequências para impedir que seja implementada.
Um abraço,